Motorista instala película muito escura para reduzir o calor e só percebe na vistoria que a transparência medida não corresponde ao anúncio do vendedor
Percentual anunciado não substitui a medição do conjunto formado pelo vidro e pela película depois da instalação
A promessa de uma película mais escura pode parecer suficiente na hora da compra, mas a película automotiva precisa ser avaliada junto com o vidro em que foi instalada. A legislação considera a quantidade efetiva de luz que atravessa o conjunto vidro-película, e não apenas o percentual anunciado na embalagem ou informado pelo vendedor.
Qual transparência a película automotiva precisa manter?
Nas áreas consideradas indispensáveis à dirigibilidade, como o para-brisa e os vidros laterais dianteiros dentro do campo de visão do motorista, a transmitância luminosa não pode ser inferior a 70%. Esse percentual representa a luz que efetivamente atravessa o conjunto instalado.
Para outras áreas envidraçadas, a regulamentação atual permite transmitância inferior quando elas não interferem na dirigibilidade e o veículo possui espelhos retrovisores externos dos dois lados. Por isso, aplicar o mesmo tipo de película em todos os vidros sem verificar cada posição pode produzir uma instalação irregular.
Por que o número anunciado pelo vendedor pode não ser o resultado final?
O percentual informado para uma película isoladamente não determina necessariamente quanto de luz atravessará o vidro depois da aplicação. O próprio vidro do automóvel já absorve determinada quantidade de luz, e a sobreposição modifica o resultado final medido.
É por isso que uma película anunciada de determinada maneira pode produzir transmitância diferente quando aplicada sobre vidros distintos. Para fins de fiscalização, interessa o conjunto pronto instalado no automóvel, não uma promessa comercial considerada separadamente.
- Conferir a transmitância exigida para cada vidro;
- Perguntar qual será o resultado do conjunto instalado;
- Exigir identificação adequada da película;
- Testar a transparência após a instalação;
- Guardar nota fiscal e informações do serviço;
- Corrigir eventual irregularidade antes de circular.
Este vídeo explica especificamente as regras da Resolução CONTRAN nº 960 para películas e vidros.
Como a película automotiva é medida na fiscalização?
A transmitância luminosa é expressa em percentual e corresponde à quantidade de luz que atravessa o material. Quando há película, o equipamento verifica o comportamento óptico do conjunto formado pelo vidro e pelo filme aplicado, permitindo comparar o resultado com o limite regulamentar.
Para uso na fiscalização de trânsito, o medidor de transmitância luminosa deve atender aos requisitos oficiais aplicáveis. Assim, uma avaliação instrumental tem função diferente de simplesmente olhar o vidro e decidir visualmente se ele parece muito escuro.
A chancela na película funciona como uma certificação?
A regulamentação exige que, nas áreas indispensáveis à dirigibilidade, a película contenha de forma indelével a marca do instalador e o índice de transmitância luminosa, com informações legíveis pelo lado externo. Essa chancela identifica características declaradas da instalação, mas não deve ser confundida com garantia absoluta de que qualquer combinação vidro-película ficará dentro do limite.
A Resolução CONTRAN nº 960, posteriormente alterada, estabelece que a aplicação de película não refletiva deve respeitar a transmitância exigida para o conjunto. Portanto, anúncio, embalagem ou declaração comercial não substituem o resultado efetivamente obtido.

Quem deve conferir se o resultado instalado está regular?
O instalador deve conhecer as regras técnicas do serviço que oferece e informar corretamente as características da aplicação. Para o consumidor, guardar orçamento, nota fiscal, anúncio e especificações fornecidas pode ser importante caso a instalação entregue resultado diferente daquele prometido comercialmente.
No trânsito, porém, é o veículo que será fiscalizado. Por isso, o proprietário não deve presumir que está regular apenas porque pagou pelo serviço ou recebeu determinada informação do vendedor. Quando houver dúvida, a conferência instrumental antes de circular reduz o risco de descobrir o problema durante fiscalização ou vistoria.
O que fazer se a película automotiva reprovar na medição?
Se a medição indicar transmitância inferior ao permitido, confiar apenas na informação fornecida na venda não regulariza o veículo. A solução prática é adequar a película para que o conjunto volte a atender aos requisitos aplicáveis antes de continuar circulando nessa configuração.
Quando o serviço tiver sido vendido com promessa específica de regularidade, documentos da compra ajudam a discutir eventual responsabilidade comercial com o fornecedor. Para evitar o problema, o melhor momento para medir é logo após a instalação, quando ainda é possível corrigir o resultado antes de uma vistoria ou fiscalização.
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