Millôr Fernandes: "Livre pensar é só pensar". O nome da coluna que ele manteve até morrer, criada durante a ditadura

04.11.2026

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Millôr Fernandes: “Livre pensar é só pensar”. O nome da coluna que ele manteve até morrer, criada durante a ditadura
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4 minutos de leitura 03.08.2026 15:18 comentários
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Millôr Fernandes: “Livre pensar é só pensar”. O nome da coluna que ele manteve até morrer, criada durante a ditadura

Millôr Fernandes e "livre pensar é só pensar": o nome da coluna que manteve desde O Pasquim até morrer em 2012

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Millôr Fernandes: “Livre pensar é só pensar”. O nome da coluna que ele manteve até morrer, criada durante a ditadura
Millôr Fernandes: "Livre pensar é só pensar". O nome da coluna que ele manteve até morrer, criada durante a ditadura
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O que você vai ver
  •  De onde vem a frase “livre pensar é só pensar”.
  •  O que foi O Pasquim, o jornal que Millôr ajudou a fundar.
  •  O que significa dizer que pensar já é o ato livre.
  •  Por que Millôr tratava o humor como forma séria de pensar.

“Livre pensar é só pensar.” A frase é de Millôr Fernandes, cartunista, escritor e humorista brasileiro, e não é só um aforismo solto: foi o título de uma coluna que ele manteve por décadas, até morrer, em 2012.

Quem foi Millôr Fernandes?

Millôr Fernandes nasceu no Rio de Janeiro em 1923 e teve carreira multifacetada: foi cartunista, tradutor, dramaturgo, jornalista e um dos humoristas mais influentes da história recente do Brasil.

Autodidata, sem formação universitária formal, construiu reputação como polemista afiado e tradutor respeitado de obras de teatro, além de assinar textos de humor que circulavam entre a crítica social mais dura e o nonsense mais leve.

De onde vem a frase livre pensar é só pensar?

“Livre Pensar É Só Pensar” foi o nome que Millôr deu a artigos semanais que assinou ao longo de sua carreira, publicados durante e depois da ditadura militar, mantendo o título até seus últimos textos antes de morrer em 2012.

Não é uma frase avulsa retirada de um livro de aforismos: é um título-manifesto, que Millôr sustentou por décadas como assinatura do próprio jeito de escrever e pensar em público.

O que foi O Pasquim, o jornal que Millôr ajudou a fundar?

O Pasquim nasceu em junho de 1969, logo depois da edição do Ato Institucional número 5, o instrumento mais duro da ditadura militar brasileira. Millôr foi um dos fundadores, ao lado de nomes como Jaguar e Ziraldo, e usava humor e ironia como arma principal contra a censura e o autoritarismo da época.

O jornal chegou a ter um censor da própria ditadura instalado na redação, e boa parte da equipe foi presa em algum momento, incluindo o próprio Millôr.

De O Pasquim à última coluna
 
1968
o Ato Institucional número 5 endurece a censura e a repressão da ditadura militar.
 
Junho de 1969
Millôr Fernandes ajuda a fundar O Pasquim, jornal de humor que enfrenta a censura da época.
 
Décadas seguintes
assina semanalmente a coluna “Livre Pensar É Só Pensar”, mesmo depois do fim da ditadura.
 
2012
Millôr morre, ainda mantendo a coluna com o mesmo título até os últimos textos.

O que significa dizer que pensar já é o ato livre?

A frase inverte a ordem comum: em vez de tratar a liberdade como uma condição externa que precisa ser concedida antes de alguém poder pensar livremente, Millôr trata o próprio ato de pensar como a liberdade em si, disponível mesmo sob censura e repressão.

Ninguém consegue proibir o pensamento em si, só a expressão dele. Manter uma coluna com esse título durante e depois da ditadura era, na prática, afirmar que essa liberdade interna continuava intacta, independente do que a censura conseguisse cortar no papel.

Millôr Fernandes: "Livre pensar é só pensar". O nome da coluna que ele manteve até morrer, criada durante a ditadura
Millôr Fernandes: “Livre pensar é só pensar”. O nome da coluna que ele manteve até morrer, criada durante a ditadura

Por que Millôr tratava o humor como forma séria de pensar?

Para Millôr, fazer humor não era o oposto de pensar com seriedade: era uma forma de dizer coisas sérias de um jeito que escapava, às vezes, do radar mais óbvio da censura, além de alcançar leitores que um texto grave, direto, poderia não atingir.

Cartunista, tradutor e teatrólogo, ele produziu ao longo da vida uma obra ampla de humor e crítica social, hoje reunida em coletâneas como Millôr Definitivo, a Bíblia do Caos, publicada pela L&PM.

Esse mesmo espírito de usar a palavra pública como ferramenta de resistência ao pensamento preguiçoso também aparece, de outro ângulo, na desconfiança de Nelson Rodrigues diante de qualquer unanimidade.

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