Megaobra de R$ 5 bilhões pretende concluir fábrica gigantesca abandonada há mais de 10 anos no interior brasileiro para reduzir a dependência de fertilizantes importados
A retomada de uma planta industrial paralisada exige concluir estruturas antigas e preparar uma produção de grande escala para o agronegócio.
Torres metálicas, tubulações e edifícios industriais ficaram incompletos durante mais de uma década no interior brasileiro. A fábrica de fertilizantes UFN-III, da Petrobras, em Três Lagoas (MS), teve a retomada aprovada em abril de 2026 e contratos de conclusão assinados em junho, com operação prevista para 2029.
Por que a unidade ficou parada durante tantos anos?
A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) teve a construção interrompida em 2015. O empreendimento permaneceu sem concluir sua implantação até a Petrobras reavaliar a viabilidade técnica e econômica de terminar a instalação.
Em abril de 2026, o conselho de administração autorizou a retomada. O projeto voltou ao planejamento de investimentos da companhia, mas ainda precisa executar obras, montar sistemas industriais e realizar testes antes da produção comercial.

Quanto será investido na conclusão da fábrica?
O orçamento anunciado para a conclusão supera R$ 5 bilhões, equivalente à estimativa de aproximadamente US$ 1 bilhão apresentada pela Petrobras na aprovação. Trata-se do investimento necessário para finalizar o empreendimento, não de seu custo histórico total.
Em 25 de junho de 2026, foram assinados os contratos de conclusão. A medida avançou na preparação da retomada dos trabalhos, que inclui contratar serviços e mobilizar equipes para recuperar e instalar equipamentos.
Quatro elementos resumem o alcance do empreendimento:
O que será produzido na unidade de Três Lagoas?
A planta terá capacidade projetada de 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas diárias de amônia. A amônia participa da cadeia de produção de fertilizantes, enquanto a ureia é utilizada amplamente na adubação agrícola.
A estimativa de capacidade indica o potencial técnico da instalação depois de concluída. O volume vendido dependerá da operação das linhas industriais, da disponibilidade de insumos e da demanda pelos produtos.
Como a produção pode reduzir as importações?
O Brasil depende de compras externas de fertilizantes nitrogenados. A entrada da UFN-III poderá ampliar a oferta nacional de ureia, especialmente para mercados agrícolas do Centro-Oeste e de estados vizinhos.
A localização da fábrica perto de regiões de consumo tende a facilitar a distribuição. Entretanto, ampliar a produção doméstica não elimina as importações: preços, oferta e condições do mercado ainda determinarão o equilíbrio do abastecimento.
Os indicadores centrais ajudam a dimensionar o projeto:
Quantos empregos serão criados e quando começam as operações?
A retomada aprovada pela Petrobras prevê aproximadamente 8 mil postos de trabalho durante as obras. A previsão de início da operação comercial é 2029, condicionada à execução e aos testes industriais.
A mobilização envolve atividades de montagem, construção civil e serviços especializados. O número de empregos foi divulgado para a fase de conclusão e não deve ser interpretado como total de vagas permanentes na unidade.
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O que ainda falta para a fábrica entrar em operação?
A conclusão exige transformar estruturas parcialmente construídas em uma planta integrada, com equipamentos montados, sistemas conectados e condições para partida segura. A assinatura de contratos não corresponde à liberação imediata da produção.
A UFN-III representa uma aposta na indústria nacional de fertilizantes após longo período de paralisação. Seu efeito sobre o mercado só poderá ser medido quando a produção comercial se iniciar e atingir volumes sustentáveis.
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