Megaobra de R$ 1,4 bilhão abre um túnel de 6,5 km e leva água por 115 km para cruzar o sertão com vazão de até 40 mil litros por segundo
A obra cria um novo caminho para levar água por uma longa faixa do sertão
Na divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte, a água do São Francisco agora atravessa uma serra por dentro de um túnel de 6,5 km. O Ramal do Apodi tem 115,5 km de canais, túnel e aquedutos e foi projetado para transportar até 40 mil litros por segundo no trecho inicial. A obra deve atender cerca de 750 mil pessoas em 54 municípios do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do Ceará.
Por onde passa o Ramal do Apodi?
O ramal é uma extensão do Eixo Norte da transposição do São Francisco. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, ele começa na Barragem de Caiçara, na Paraíba, e termina no reservatório de Angicos, em José da Penha, no Rio Grande do Norte.
A partir de Angicos, a água segue pelos rios da bacia Apodi-Mossoró até barragens como Pau dos Ferros e Santa Cruz do Apodi, que recebem adequações para receber o novo volume.

Por que foi preciso abrir um túnel de 6,5 km?
Entre a Paraíba e o oeste potiguar há uma serra no caminho. Contorná-la exigiria bombeamento e quilômetros extras de canal. O túnel Major Sales atravessa o maciço e permite que a água siga por gravidade. As principais estruturas do ramal são estas:
A vazão de 40 mil litros por segundo vale para o percurso inteiro?
Não. A capacidade de 40 m³/s, equivalente a 40 mil litros por segundo, corresponde ao trecho inicial. Ao longo do caminho, parte da água é distribuída e o canal reduz a capacidade, como em qualquer sistema de abastecimento.
O volume liberado também não é automático: segundo nota do ministério, publicada em julho de 2026, o envio de água segue as solicitações do estado e o plano de uso aprovado, dentro das regras de outorga.
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Em que estágio está a obra?
O túnel foi inaugurado em julho de 2026, com uma primeira liberação de água para testar a capacidade do sistema. Em maio, segundo a Gazeta RN, a execução física passava de 94%.
O fim da obra ficou para o início de 2027
A previsão inicial era concluir o ramal em 2026. Segundo o portal O Poti, o ministro da Integração passou a citar fevereiro de 2027 para a conclusão total, incluindo a troca das estruturas provisórias por obras definitivas em concreto.
Os valores divulgados também variam conforme o que é somado: o ministério falava em mais de R$ 1 bilhão já aplicado em 2025, e o governo potiguar cita R$ 1,6 bilhão incluindo adequações em barragens. Para o oeste potiguar, o que importa é o calendário: a chegada regular de água às cidades depende do fim dos testes até Angicos.
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