Megaobra de R$ 1 bilhão vai retirar rochas de um trecho de 35 km no fundo do rio Tocantins para abrir caminho a navios carregados com milhões de toneladas
A retirada das rochas deve facilitar a passagem de embarcações de grande porte
Na seca, quando o nível do Tocantins baixa, rochas afloram no meio do rio entre Marabá e Tucuruí, no Pará, e barcaças carregadas não conseguem passar. O Pedral do Lourenço é o principal obstáculo à navegação contínua no rio, e o governo federal prevê investir mais de R$ 1 bilhão para retirar parte dessas pedras em um trecho de 35 km. A licença existe desde 2025, mas as explosões só devem começar em 2027.
O que é o Pedral do Lourenço?
É uma formação rochosa no leito do Tocantins, no município de Itupiranga, que impede a passagem de comboios de grande porte durante boa parte do ano. Segundo o DNIT, a intervenção autorizada cobre 35 km entre Santa Terezinha do Tauiri e a Ilha do Bogéa.
A licença de instalação do Ibama foi emitida em 26 de maio de 2025, com validade de cinco anos. O processo de licenciamento havia começado em 2016.

Como funciona o derrocamento?
Derrocamento é a remoção de rochas submersas com explosivos para aprofundar e alargar o canal de navegação. O projeto prevê um canal de 70 a 160 metros de largura no trecho do pedral. A licença também autoriza estruturas de apoio:
Por que a obra é contestada?
O pedral é habitat de peixes, inclusive cascudos de grande porte, e sustenta a pesca de comunidades ribeirinhas. Segundo a agência de jornalismo Sumaúma, o Ministério Público Federal questiona o licenciamento e os impactos sobre essas populações.
Em junho de 2025, a Justiça Federal do Pará chegou a suspender a licença e proibir avanços na obra até uma inspeção no local, de acordo com o portal Benews. A continuidade foi autorizada em dezembro, e o MPF recorreu em 2026.
Quando as explosões devem começar?
Em maio de 2026, o secretário nacional de Hidrovias, Otto Burlier, disse à Agência iNFRA que o canteiro deveria ser instalado no segundo semestre e que as detonações ficariam para 2027. O motivo é o defeso, período de reprodução dos peixes, entre novembro e março, quando as explosões não podem ocorrer.
Leia também: Megaobra de R$ 500 milhões ocupa 550 mil m² na Tríplice Fronteira para erguer o maior porto seco da América Latina
A hidrovia depende das rochas e da Justiça
Autoridades federais e do Pará estimam que, com o canal aberto, o Tocantins poderá movimentar cerca de 20 milhões de toneladas por ano, principalmente grãos e minérios rumo aos portos do Norte. Hoje, o volume é uma fração disso por causa das restrições na seca.
Até lá, o cronograma depende de três fatores: o resultado do recurso do MPF, a instalação do canteiro e o calendário do defeso. Se as detonações não começarem antes de novembro de 2027, a janela seguinte só abre em março de 2028.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)