Megaobra chinesa de R$ 18 bilhões começa a atravessar quase 1.500 km do Brasil para ligar Maranhão a Goiás com o maior empreendimento do setor
O projeto atravessa uma longa faixa do país para ampliar a capacidade de transmissão de energia
Uma linha de transmissão de escala continental começou a sair do papel entre o Maranhão, Tocantins e Goiás. O projeto Graça Aranha-Silvânia, controlado pela chinesa State Grid, reúne investimento estimado em R$ 18,1 bilhões, quase 1.500 km de trajeto e tecnologia de ultra-alta tensão para levar grandes blocos de energia pelo país.
O que é a linha Graça Aranha-Silvânia?
É um sistema de transmissão em corrente contínua que ligará a Subestação Graça Aranha, no Maranhão, à Subestação Silvânia, em Goiás, passando pelo Tocantins. O objetivo é aumentar a capacidade de escoamento de energia do Norte e do Nordeste para outras regiões.
O Ministério de Minas e Energia informou em junho de 2026 que a licença de instalação autorizou o avanço da linha e de suas estruturas associadas.

Por que essa obra custa cerca de R$ 18 bilhões?
O investimento cobre muito mais que os cabos. O empreendimento inclui a linha principal, subestações conversoras, equipamentos de compensação e sistemas necessários para integrar a nova estrutura ao Sistema Interligado Nacional.
O MME apresentou o investimento estimado em R$ 18,1 bilhões e classificou o conjunto como o maior empreendimento de transmissão já licitado no Brasil:
Como funciona uma linha de transmissão de ±800 kV?
A tecnologia usa corrente contínua em ultra-alta tensão para transportar muita potência por grandes distâncias. Nas extremidades, estações conversoras transformam a eletricidade para que ela possa entrar e sair do sistema de transmissão.
Quanto maior a tensão, menor pode ser a corrente necessária para transportar determinada potência. Isso ajuda a reduzir perdas elétricas em trajetos muito longos.
- Graça Aranha: recebe a energia e faz parte do sistema de conversão no Maranhão.
- Linha de ±800 kV: transporta a energia em corrente contínua por longa distância.
- Silvânia: recebe o fluxo em Goiás e conecta o sistema a outras linhas.
- Compensação: equipamentos ajudam a manter estabilidade e controle da rede elétrica.
A obra já começou em toda a extensão?
O projeto está em andamento, mas isso não significa que os quase 1.500 km já estejam simultaneamente com torres erguidas. As subestações começaram antes e a licença de instalação emitida pelo Ibama permitiu o avanço da linha principal.
O contrato da ANEEL confirma que a concessionária foi constituída pelo vencedor do lote, a State Grid Brazil Holding. A execução acontece por etapas:
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Por que essa linha é estratégica para o sistema elétrico brasileiro?
A nova ligação foi planejada para liberar capacidade de transmissão em uma região que recebeu muita geração eólica e solar. Sem novas linhas, parte dessa energia pode encontrar limites para chegar aos grandes centros consumidores.
A Empresa de Pesquisa Energética informa que a obra é administrada pela Graça Aranha Transmissora de Energia, ligada à subsidiária brasileira da estatal chinesa State Grid.
A escala impressiona, mas a função é direta: criar uma nova rota para a eletricidade atravessar três estados com menos gargalos.
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