Máquina de 2.100 toneladas e 100 metros de comprimento escava um túnel sob São Paulo e instala o concreto enquanto avança até 15 metros por dia
A obra avança no subsolo com uma tecnologia que escava e reveste o trajeto ao mesmo tempo
A dezenas de metros abaixo das ruas da zona leste de São Paulo, uma máquina do tamanho de um prédio deitado avança enquanto deixa o túnel pronto atrás dela. O tatuzão Cora Coralina, que trabalha na expansão da Linha 2-Verde do Metrô, tem cerca de 100 metros e escava e reveste até 15 metros de túnel por dia. Em outubro de 2026, ele seguia da Penha em direção ao Complexo Rapadura, depois de já ter aberto o trecho até Vila Prudente.
Quanto pesa e como é a máquina?
Na frente fica uma roda de corte de 11,66 metros de diâmetro. O peso aparece de formas diferentes nas fontes oficiais: o Metrô de São Paulo informou 2.500 toneladas em 2025, e o governo paulista passou a citar cerca de 2.100 toneladas em 2026.
Atrás da roda vem um comboio de equipamentos, chamado de backup, com esteiras para levar a terra, ventilação, câmara de pressão para manutenção e o sistema que monta o revestimento do túnel.

Como a máquina escava e instala o concreto ao mesmo tempo?
A tuneladora trabalha em ciclo contínuo. Logo atrás da roda, um braço mecânico encaixa aduelas, peças curvas de concreto pré-moldado que formam um anel completo a cada etapa:
Quanto o tatuzão já escavou?
A primeira jornada terminou em maio de 2025, no poço Falchi Gianini, perto de Vila Prudente. Foram 4,5 km percorridos, 3,7 km de túneis construídos, 394 mil m³ de terra retirados e 2.456 anéis instalados.
Depois, a máquina foi desmontada e remontada na Penha. Em janeiro de 2026, segundo o Diário do Transporte, ela concluiu um dos trechos mais delicados, passando por baixo da Linha 11-Coral da CPTM e da área da Linha 3-Vermelha, ambas em operação.
Por que 15 metros por dia não significa 15 metros todos os dias?
Os 15 metros representam a capacidade máxima. A máquina para para manutenção, troca de ferramentas de corte e ajustes conforme o solo, e reduz o ritmo em trechos sensíveis, como sob linhas de trem ou casas antigas.
No balanço de 30 de setembro de 2026, publicado pelo Diário do Transporte, a tuneladora havia percorrido 1.105 metros desde a Penha e chegado ao poço Júlio Colaço. Por precaução, moradores de sete imóveis próximos seriam realocados temporariamente durante a passagem.
Uma segunda máquina, ainda maior, vai entrar na obra
A Agência SP informou que uma nova tuneladora chegou da China em março de 2026, com 133 metros e cerca de 2.600 toneladas. Ela vai abrir cerca de 7 km de túneis entre a Penha e a futura estação Dutra, na divisa com Guarulhos.
Enquanto isso, a Cora Coralina segue rumo ao Complexo Rapadura. O Metrô prevê a primeira fase da expansão, até Vila Formosa, em 2027, e a chegada à Penha, com integração às linhas 3-Vermelha e 11-Coral, em 2028.
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