Máquina de 2.100 toneladas e 100 metros de comprimento abre um túnel sob São Paulo e instala o concreto enquanto avança até 15 metros por dia
O equipamento faz escavação e revestimento em uma única passagem pelo subsolo
Debaixo de ruas, prédios e avenidas da maior cidade do país, uma máquina do tamanho de um edifício deitado abre espaço para uma nova linha de metrô sem deixar o túnel vazio atrás dela. A Cora Coralina, usada na expansão da Linha 2-Verde, escava o solo e monta os anéis de concreto que formam a estrutura definitiva do túnel.
Onde essa máquina gigante está trabalhando?
A Cora Coralina trabalha na expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, entre Vila Prudente e Penha. Dados mais recentes do Governo de São Paulo descrevem a máquina com cerca de 100 metros de comprimento e aproximadamente 2.100 toneladas.
Na frente fica uma roda de corte de 11,66 metros de diâmetro. Atrás dela vem uma sequência de sistemas para retirar o material escavado, transportar peças, ventilar o túnel e montar o revestimento de concreto. É essa combinação que permite à máquina avançar e deixar boa parte da estrutura pronta.

Como o tatuzão escava e já instala o concreto atrás dele?
A tuneladora corta o terreno, controla a pressão na frente de escavação e remove a terra enquanto avança. Logo atrás da roda de corte, um equipamento interno posiciona aduelas pré-moldadas de concreto, peças curvas que são encaixadas até formar um anel completo.
O Metrô de São Paulo informa capacidade de escavar e revestir até 15 metros de túnel por dia. O ritmo máximo depende do solo, das paradas técnicas e do trecho atravessado.
Quanto a Cora Coralina já escavou sob São Paulo?
Em setembro de 2026, a Cora Coralina havia superado 4,5 km de túneis construídos e alcançado a marca de 3.006 anéis de concreto instalados. A atualização foi confirmada pelo Metrô ao portal especializado MetrôCPTM.
A primeira jornada terminou em maio de 2025. Nesse trecho, a máquina percorreu cerca de 4,5 km, construiu efetivamente 3,7 km de túneis, retirou 394 mil m³ de terra e instalou 2.456 anéis. Depois, foi desmontada, levada para Penha e montada novamente para trabalhar no sentido contrário.
- Primeira jornada: 2.456 anéis de concreto foram instalados.
- Segunda jornada: outros 550 anéis já apareciam no balanço de setembro de 2026.
- Total: a contagem chegou a 3.006 anéis.
- Comprimento por anel: cada conjunto ocupa cerca de 1,5 metro do túnel.
Por que 15 metros por dia não significam 15 metros novos todos os dias?
Os 15 metros por dia representam uma capacidade máxima de avanço, não uma produção fixa. A máquina precisa parar para manutenção, troca de peças, inspeções e ajustes de acordo com as condições do terreno.
Também existe diferença entre a distância percorrida pela tuneladora e o comprimento de túnel novo. Ao atravessar áreas de estações e poços que já foram escavados por outros métodos, a máquina se desloca sem instalar a mesma quantidade de anéis usada em solo fechado.
O que essa escavação muda na Linha 2-Verde?
A expansão entre Vila Prudente e Penha acrescentará cerca de 8,4 km e 8 novas estações à Linha 2-Verde. A página atual do Metrô estima mais 320 mil passageiros por dia útil com a ampliação.
O trecho também criará novas conexões com a Linha 3-Vermelha e a Linha 11-Coral. As previsões divulgadas pelo Metrô colocam a primeira fase, até Vila Formosa, em 2027, e a segunda, até Penha, em 2028. Até lá, boa parte do trabalho continuará acontecendo onde quase ninguém vê: dezenas de metros abaixo das ruas de São Paulo.
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