Mais gente foi para o espaço do que para o fundo do mar
Imagens de Marte são mais detalhadas que mapas dos nossos oceanos
Mais de 70% do planeta é água, mas a maior parte do fundo do mar continua em branco no mapa, quase como um “modo hard” da natureza. Enquanto Marte e a Lua já têm imagens superdetalhadas, o fundo dos oceanos ainda guarda zonas inteiras sem registro preciso, cheias de vida desconhecida, fósseis escondidos e até impactos da ação humana.
Por que sabemos tão pouco sobre o fundo do mar?
Apesar de toda a tecnologia disponível em 2025, só cerca de 20% do fundo marinho foi mapeado com boa precisão, deixando mais de 90% das espécies marinhas ainda sem registro formal na ciência. A combinação de profundidade absurda, pressão esmagadora, frio intenso e escuridão total transforma qualquer expedição em um desafio extremo.
Explorar o abismo oceânico é tão complexo que, até hoje, mais de 600 pessoas já foram ao espaço, mas apenas 27 chegaram ao Challenger Deep, na Fossa das Marianas. Para cientistas, engenheiros e exploradores, cada metro a mais para baixo exige equipamentos mais caros, mais robustos e testes que podem levar anos.
Como funcionam as zonas profundas do oceano?
As profundezas oceânicas são divididas em zonas, cada uma com suas próprias regras “radicais”. A partir de cerca de 1 km de profundidade, entra em cena a zona batipelágica, onde reina a escuridão total e a pressão pode chegar a algo próximo de 5000 psi.
Abaixo dela está a zona hadalpelágica, território das lulas colossais e de peixes bioluminescentes como o Melanocetus johnsoni, o famoso peixe de “Procurando Nemo”. Mergulhos recreativos param em torno de 40 m, submarinos nucleares chegam perto de 400 m, enquanto apenas submersíveis especiais encaram os 11 km da Fossa das Marianas.
Gostou do tema? Veja um vídeo do canal Ciência Todo Dia desbravando as profundezas:
Quais foram as expedições mais ousadas ao abismo?
Em 1960, Jacques Piccard e Don Walsh desceram ao Challenger Deep a bordo do batiscafo Trieste, marcando o primeiro contato direto com o ponto mais profundo conhecido dos oceanos. Esse feito demorou décadas para ser repetido.
Em 2012, o cineasta e explorador James Cameron voltou ao mesmo abismo em um submersível solo, reabrindo o caminho para novas missões. Mais recentemente, o submersível Limiting Factor permitiu que o número de pessoas que desceram até lá chegasse a 27, mostrando que o interesse pelos abismos continua em alta.
O que é o projeto Seabed 2030 e qual sua importância?
O projeto Seabed 2030 quer mapear 100% do fundo dos oceanos até 2030, com resoluções entre 3 e 800 metros por pixel. Isso ainda é menos detalhado que as imagens de Marte, que chegam a cerca de 5 m por pixel, mas já representa um salto enorme no entendimento do planeta.
- Prever tsunamis com mais precisão através do mapeamento do relevo submarino
- Planejar rotas de cabos de internet que conectam continentes
- Entender melhor as correntes oceânicas que interferem no clima global
- Avaliar áreas de mineração de nódulos polimetálicos usados em baterias e metais raros
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