Mais de 400 ossos minúsculos revelaram um anfíbio de menos de 5 centímetros que lançava a língua como um camaleão há 150 milhões de anos
Fósseis microscópicos de Portugal reconstruíram a anatomia de um pequeno albanerpetontídeo equipado com um sistema de alimentação incomum
Centenas de fósseis minúsculos recuperados no oeste de Portugal permitiram reconstruir a anatomia de um animal quase invisível diante dos grandes dinossauros do Jurássico Superior. Batizado de Nabia civiscientrix, o anfíbio media menos de cinco centímetros e pertencia a uma linhagem extinta com um sistema de alimentação por língua balística, comparável em funcionamento ao de camaleões modernos. O material tem cerca de 150 milhões de anos.
Como Nabia civiscientrix foi identificada entre fósseis tão pequenos?
Os pesquisadores estudaram 468 ossos provenientes da Formação Lourinhã, de idade Kimmeridgiana-Titoniana, além de milhares de restos fósseis da jazida de Guimarota, na Formação Alcobaça. A combinação permitiu reconhecer um novo gênero e uma nova espécie de albanerpetontídeo.
Boa parte dos fósseis consistia em elementos cranianos, vértebras e outros ossos isolados. Alguns tinham menos de um milímetro de largura, exigindo microscopia e microtomografia computadorizada para revelar detalhes tridimensionais importantes para a identificação anatômica.
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O que os mais de 400 ossos permitiram reconstruir?
O conjunto era incomum porque não continha apenas mandíbulas e ossos frontais, frequentemente encontrados nesse grupo. Quadrados, ílios e outros elementos mais raros ajudaram a formar uma visão muito mais completa do esqueleto do que aquela disponível para vários albanerpetontídeos descritos anteriormente.
Essa diversidade anatômica também foi importante para separar o animal de espécies anteriormente atribuídas ao gênero Celtedens. A análise revelou uma combinação própria de características no crânio, nas vértebras e na cintura pélvica, sustentando formalmente a criação de Nabia.
- Foram analisados 468 ossos da Formação Lourinhã.
- Muitos fragmentos tinham menos de um milímetro de largura.
- O material inclui ossos cranianos, vertebrais e pós-cranianos.
- Fósseis de Guimarota ajudaram na comparação anatômica.
- O animal tinha menos de cinco centímetros de comprimento.
Este vídeo mostra por tomografia um albanerpetontídeo relacionado e ajuda a visualizar a anatomia associada ao mecanismo de língua projetável.
Como Nabia civiscientrix lançava a língua para capturar presas?
Os albanerpetontídeos possuíam um aparelho alimentar especializado associado a uma língua projetável. Fósseis excepcionalmente preservados de outro integrante do grupo, Yaksha perettii, demonstraram que esses animais podiam lançar rapidamente a língua para capturar pequenas presas, comportamento comparado ao dos camaleões.
No caso de Nabia, a interpretação deriva de sua posição dentro desse grupo e de características anatômicas compartilhadas, não da preservação direta da língua mole. Por isso, a formulação mais precisa é que o animal possuía o sistema alimentar balístico característico dos albanerpetontídeos.
Esse pequeno animal era uma salamandra do Jurássico?
Apesar da aparência superficialmente semelhante à de uma pequena salamandra, os albanerpetontídeos formavam uma linhagem extinta distinta. Eles pertenciam aos lissanfíbios em sentido amplo, grupo relacionado aos anfíbios atuais, mas apresentavam combinação anatômica própria.
Também possuíam características pouco intuitivas para um anfíbio, como pele descrita como seca e escamosa, pequenas estruturas semelhantes a garras e pálpebras. Essas particularidades ajudaram a tornar o grupo difícil de interpretar durante décadas.

O que Nabia civiscientrix revela sobre os anfíbios do Jurássico?
O estudo publicado no Journal of Systematic Palaeontology identifica a espécie como o albanerpetontídeo mais antigo conhecido da Península Ibérica e um dos poucos representantes jurássicos formalmente descritos do grupo.
Isso amplia o conhecimento sobre pequenos vertebrados que viviam nos mesmos ecossistemas dos dinossauros. A Formação Lourinhã é famosa por grandes répteis fósseis, mas o novo material mostra que sua fauna terrestre também incluía animais diminutos e altamente especializados.
| Evidência | O que indica |
|---|---|
| 468 ossos | Base anatômica ampla para definir a nova espécie. |
| Menos de 5 cm | Animal extremamente pequeno. |
| Cerca de 150 milhões de anos | Presença no Jurássico Superior. |
| Língua balística | Estratégia especializada de captura de pequenas presas. |
Por que uma descoberta tão pequena tem importância tão grande?
Fósseis de animais minúsculos tendem a ser mais difíceis de localizar e estudar, sobretudo quando aparecem como fragmentos isolados misturados ao sedimento. O projeto de ciência cidadã MicroSaurus teve papel importante na recuperação de boa parte do material usado para descrever a espécie.
A descoberta mostra que reconstruir ecossistemas jurássicos exige olhar além dos grandes dinossauros. Pequenos anfíbios como Nabia ajudam a revelar predadores de invertebrados, relações alimentares e linhagens evolutivas que seriam quase invisíveis se apenas os fósseis maiores fossem considerados.
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