Machado de Assis: “O tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo”
A passagem real de Esaú e Jacó é mais ampla que a paráfrase moderna e transforma o tempo em imagem de experiências, ausência e mudança.
Em Machado de Assis, o tempo aparece como um tecido invisível capaz de receber diferentes bordados, imagem usada em Esaú e Jacó para falar da passagem dos anos. A metáfora permite pensar ações, escolhas e até a ausência delas sem transformar uma paráfrase moderna em citação literal.
Qual é a frase original de Machado de Assis sobre o tempo?
Em Esaú e Jacó, Machado escreve que o tempo é “um tecido invisível em que se pode bordar tudo”, seguido por exemplos como flor, pássaro, dama, castelo e túmulo. A passagem acrescenta que também se pode bordar nada.
A formulação aparece no texto digital de Esaú e Jacó. “Em que se bordam as nossas ações” funciona como interpretação da metáfora, mas não corresponde literalmente às palavras usadas pelo escritor.

Em que obra aparece a metáfora do tecido invisível?
A passagem está em Esaú e Jacó, romance publicado em 1904. O narrador realiza um salto temporal para 1886 e usa a imagem do tecido para mostrar como os anos podem comportar acontecimentos muito diferentes.
A bibliografia da Academia Brasileira de Letras registra Esaú e Jacó entre as obras de Machado. O romance pertence à fase final de sua produção e acompanha os irmãos gêmeos Pedro e Paulo.
O que significa bordar o tempo em Esaú e Jacó?
“Bordar” funciona como metáfora para aquilo que marca o tempo. Pessoas, acontecimentos e mudanças podem preencher esse tecido invisível, assim como desenhos surgem sobre uma superfície, embora o próprio tempo não possa ser tocado.
Machado reúne imagens delicadas, sociais, grandiosas e ligadas à morte. A sequência amplia a metáfora e evita reduzir o tempo apenas às escolhas individuais, pois também inclui circunstâncias e acontecimentos que atravessam uma vida.
Os elementos centrais podem ser resumidos assim:
Como a imagem do tecido se relaciona às nossas ações?
Relacionar o bordado às ações humanas é uma interpretação possível, pois escolhas e acontecimentos deixam marcas na trajetória. Daí pode surgir a versão “em que se bordam as nossas ações”, desde que apresentada como paráfrase.
O original é mais amplo. Machado não limita os bordados a decisões pessoais: inclui pessoas, construções e morte. Assim, o tecido também comporta encontros, perdas e circunstâncias que não dependem apenas da vontade individual.
Por que “bordar nada” é tão importante na passagem?
“Bordar nada” impede uma leitura apenas otimista da metáfora. O tempo pode ser preenchido ou permanecer vazio, e Machado transforma até a ausência de acontecimentos em parte de sua reflexão literária.
O contraste acrescenta ironia e ambiguidade. O tempo continua passando mesmo quando nenhuma grande ação parece ocorrer, aproximando a passagem de ideias como espera, inércia, memória e dificuldade de medir a vida apenas por acontecimentos visíveis.
Os contrastes ficam mais claros nos cards:
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Como usar essa frase sem atribuir a Machado palavras que ele não escreveu?
Para manter a atribuição correta, o mais seguro é citar “o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo” e identificar Esaú e Jacó. A versão sobre “nossas ações” pode aparecer como explicação contemporânea.
Essa distinção preserva a ideia desejada e o texto de Machado de Assis. Nossas ações podem ser apresentadas como alguns dos possíveis “bordados” feitos ao longo desse tecido invisível, sem colocá-las entre aspas como frase literal do autor.
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