Inquilino instala ar-condicionado com autorização por mensagem e proprietário cobra R$ 9 mil para recuperar a parede quando contrato termina
A autorização está salva no celular, mas uma frase no contrato pode decidir se Lucas realmente terá de pagar os R$ 9 mil.
❄️ A autorização para instalar também libera Lucas de restaurar a parede?
Lucas guardou a mensagem em que o proprietário permitiu dois aparelhos, mas três anos depois surgiu uma cobrança de R$ 9 mil. O alcance daquela autorização e uma cláusula do contrato podem mudar completamente o resultado. ⬇️
A autorização para alteração foi dada por mensagem antes que Lucas instalasse os dois aparelhos de ar-condicionado. Na devolução, porém, o proprietário cobrou R$ 9 mil para restaurar paredes, pintura e elétrica, criando uma disputa sobre o que exatamente havia sido permitido.
A mensagem pode provar que o proprietário autorizou a instalação?
Sim. A Lei do Inquilinato exige consentimento prévio e por escrito para modificar a forma interna ou externa do imóvel, e uma conversa eletrônica pode servir como documento dessa autorização.
O conteúdo completo importa. É preciso confirmar se o proprietário autorizou os aparelhos especificamente, se conhecia a forma de instalação e se acrescentou alguma condição sobre retirada ou restauração futura.
Autorizar o ar-condicionado significa aceitar os furos e alterações?
A instalação de aparelhos split normalmente exige perfurações, suportes, tubulações e adaptações elétricas. Se essas intervenções eram previsíveis, a autorização pode enfraquecer a alegação de que qualquer alteração física ocorreu sem consentimento.
Isso não significa, porém, que Lucas esteja automaticamente dispensado de devolver o imóvel nas condições contratadas. O contrato pode prever recomposição ao final, mesmo para modificações previamente autorizadas.

Quais documentos podem decidir se os R$ 9 mil são realmente devidos?
A vistoria inicial mostra como estavam paredes e instalações antes da locação. As mensagens estabelecem o alcance da autorização, enquanto contrato e vistoria final indicam quais obrigações permaneceram.
O orçamento também precisa separar danos provocados pela retirada dos aparelhos de desgaste normal, pintura geral e melhorias que permanecerão no imóvel. Uma cobrança global dificulta identificar o prejuízo efetivo.
A comparação dos documentos pode alterar significativamente o valor exigido.
Lucas pode até ter direito por melhorias feitas no imóvel?
A Lei do Inquilinato prevê indenização para benfeitorias úteis quando autorizadas, salvo disposição contratual em contrário. Uma adaptação que facilita o uso do apartamento pode entrar nessa discussão.
Por outro lado, o STJ considera válida cláusula de renúncia à indenização por benfeitorias. Portanto, autorização para instalar e direito de receber pelas alterações são questões diferentes.
O resultado depende do que ficou previsto antes das obras.
O que Lucas deve fazer diante da cobrança de R$ 9 mil?
Lucas pode contestar o orçamento, exigir discriminação dos serviços e confrontar a vistoria inicial com a final. Também deve preservar a conversa original, incluindo data e contexto.
Se houver caução, o proprietário não deve simplesmente transformar qualquer divergência em desconto sem demonstrar o prejuízo. A cobrança pode ser discutida judicialmente se não houver acordo.
Os registros mais importantes incluem:
- Mensagens completas com a autorização do proprietário.
- Contrato de locação e eventuais aditivos.
- Vistorias de entrada e saída do apartamento.
- Fotos da instalação antes da retirada dos aparelhos.
- Orçamento detalhado que compõe os R$ 9 mil.
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Por que a autorização pode mudar o destino da cobrança?
O artigo 23 da Lei do Inquilinato exige consentimento escrito para alterações e também manda devolver o imóvel no estado recebido, descontado o desgaste normal. As duas regras precisam ser interpretadas juntamente com o contrato.
A própria ideia de locação envolve obrigações para ambas as partes durante e ao final do vínculo. Se o proprietário conhecia e autorizou as mudanças necessárias, os R$ 9 mil não podem ser tratados como dívida automática.
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