Há quase um milênio, observadores do céu registraram uma nova estrela tão brilhante que permaneceu visível à luz do dia durante semanas; agora, o Hubble rastreou a expansão de seu remanescente — a Nebulosa do Caranguejo
Os restos de uma estrela que explodiu no ano 1054 continuam se espalhando pelo universo a uma velocidade impressionante. O telescópio espacial Hubble comparou imagens antigas e novas para medir exatamente o ritmo desse crescimento na famosa Nebulosa do Caranguejo, ajudando a desatar nós que os astrônomos tentam resolver há décadas. O que os astrônomos...
Os restos de uma estrela que explodiu no ano 1054 continuam se espalhando pelo universo a uma velocidade impressionante. O telescópio espacial Hubble comparou imagens antigas e novas para medir exatamente o ritmo desse crescimento na famosa Nebulosa do Caranguejo, ajudando a desatar nós que os astrônomos tentam resolver há décadas.
O que os astrônomos do passado viram no céu?
Quase mil anos atrás, observadores no Japão e na China olharam para o alto e avistaram um ponto de luz bizarramente brilhante. Esse clarão no céu era tão forte que as pessoas conseguiam enxergar o fenômeno mesmo durante o dia ao longo de algumas semanas.
Hoje a ciência sabe que aquele evento histórico foi uma supernova violenta provocada pela morte de um astro gigante. A poeira e os gases arremessados no espaço formaram uma nuvem cósmica que os cientistas batizaram mais tarde como Nebulosa do Caranguejo.

Como o telescópio Hubble ajudou a desvendar o mistério?
A equipe do site Space Daily revelou que os cientistas usaram o telescópio para cravar a velocidade do avanço desses gases. Os astrônomos pegaram dados coletados pelo equipamento durante um intervalo de 22 anos para fazer uma espécie de linha do tempo bem detalhada.
O resultado desse pente fino mostrou que os destroços viajam a cerca de 1,5 milhão de quilômetros por hora pela galáxia. Ao rastrear esse rastro de volta para o ponto de partida, os especialistas conseguiram recalcular a data exata em que o coração da estrela entrou em colapso.
Qual é a grande surpresa sobre os restos de uma estrela que explodiu?
A surpresa que deixou o pessoal da astronomia de queixo caído é que a explosão não se espalhou do mesmo jeito para todos os lados. O material que viaja para o norte da nebulosa está se movendo muito mais devagar do que a ciência imaginava.
Esse freio no espaço acontece por causa de uma parede de gás espesso que fica ao redor do antigo sistema estelar. Os filamentos de ferro, enxofre e oxigênio esbarram nesse obstáculo cósmico e perdem o fôlego durante a caminhada, deformando o desenho original do Caranguejo.
O que sobrou no centro da Nebulosa do Caranguejo?
No meio de toda essa bagunça sobrou um objeto bizarro e extremamente denso chamado estrela de nêutrons. Esse núcleo sobrevivente gira em uma velocidade absurda e funciona como um verdadeiro motor elétrico que empurra os gases da vizinhança.
Abaixo mostramos as diferenças entre a explosão do passado e a situação atual observada pelo telescópio:
- No ano 1054: a luz era visível de dia e os astrônomos antigos registraram o evento usando mapas feitos à mão.
- Nos dias de hoje: os restos se transformaram em uma nuvem cheia de radiação magnética que emite raios X e ondas de rádio.
- No coração do sistema: o pulsar central pisca 30 vezes por segundo e gera um vento de partículas que desenha anéis no espaço.
Por que essa medição do telescópio é tão importante?
A análise precisa do Hubble ajuda a calibrar os modelos matemáticos que os cientistas usam para estudar o ciclo de vida dos astros. Sem essas respostas visuais, ficaria bem mais difícil prever o comportamento de outros sistemas parecidos que estão espalhados pela nossa galáxia.
Abaixo montamos um resumo simples para você comparar os dois períodos de dados usados nessa pesquisa espacial:
| Item analisado | Primeiro lote de imagens | Segundo lote de imagens |
|---|---|---|
| Ano da captura | 1999 | 2021 |
| Equipamento usado | Câmera planetária do Hubble | Câmera de campo amplo do Hubble |
| Foco do estudo | Posição inicial dos filamentos de gás | Deslocamento e expansão da matéria |
Acompanhar a evolução dessa nuvem cósmica traz respostas valiosas sobre a origem dos elementos químicos pesados que formam os planetas. Afinal, a poeira que hoje vaga pelo vazio do espaço é feita do mesmo tipo de material que deu origem ao nosso próprio sistema solar há bilhões de anos.
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