Há mais de 400 anos, marinheiros relatam áreas do Oceano Índico brilhando em um branco fantasmagórico até o horizonte, um fenômeno que satélites finalmente conseguiram registrar
Os relatos sobre o fenômeno conhecido como milky seas, ou mares leitosos, intrigam cientistas há séculos
Os relatos sobre o fenômeno conhecido como milky seas, ou mares leitosos, intrigam cientistas há séculos.
Desde o século XVII, capitães descrevem extensas áreas do oceano emitindo um brilho contínuo, branco-azulado, em noites sem lua, formando um “tapete” luminoso aparentemente sem fonte externa de luz.
O que são os mares leitosos?
A denominação mares leitosos descreve episódios em que grandes porções da superfície oceânica passam a emitir luz de forma contínua. A água adquire aparência leitosa ou de mercúrio líquido, criando um brilho uniforme que pode se estender até onde a vista alcança.
Levantamentos indicam pouco mais de 400 observações confiáveis em cerca de 400 anos, sobretudo no Mar da Arábia e no norte do Oceano Índico. A raridade, a localização remota e a diferença em relação à bioluminescência comum reforçam o caráter excepcional do fenômeno.
🌌 바다 한가운데서 우유를 쏟아놓은 것처럼 빛나는 바다가 있다?
— 수달브로 | WGT.🤝 (@sonicbaba76) June 9, 2026
이게 바로 밀키 씨(Milky Sea) 현상입니다.
밤바다 전체가 푸른빛으로 빛나는데, 규모가 수백 km에 달할 때도 있어요.
배를 탄 사람들은 마치 바다가 스스로 발광하는 것 같다고 기록했습니다.
수백 년 동안 선원들의 전설로… pic.twitter.com/bVWvUaOgsf
O que causa a luminosidade dos mares leitosos?
A principal hipótese atribui o brilho a colônias densas de bactérias marinhas bioluminescentes, como Vibrio harveyi, associadas a floradas de algas superficiais.
Amostras coletadas na década de 1980 encontraram essas bactérias junto a algas produtoras de muco, o que explicaria a superfície mais lisa e quase envidraçada relatada por navegadores.
Nessa visão, o mar luminoso é um ecossistema microscópico em grande atividade, sustentado por matéria orgânica abundante. A uniformidade do brilho sugere uma camada extensa e relativamente contínua de microrganismos, em vez de pontos de luz dispersos, como nos clarões de dinoflagelados na esteira de embarcações.
Como funciona a bioluminescência bacteriana nesses eventos?
A produção de luz pelas bactérias está ligada ao quorum sensing, um mecanismo de comunicação química. Cada célula libera moléculas sinalizadoras; quando a densidade populacional ultrapassa um limiar, genes específicos são ativados, incluindo os responsáveis pela bioluminescência.
Nos mares leitosos, esse acionamento coletivo gera um brilho homogêneo, visível inclusive do espaço em casos intensos. Pesquisas sugerem que a luminosidade pode atuar como isca ecológica, atraindo peixes que ingerem o material orgânico e ajudam a dispersar as bactérias pelo oceano.
هذي الظاهرة من اغرب الظواهر التي تحدث عنها كثير من البحارة منذ مئات السنين.
— عتيق سيف السويدي (@alsuwaidi_ae) May 8, 2026
و وثقتها صور الأقمار الصناعية احيانا.
وهي تحول البحر لمئات الكيلومترات من كل اتجاه ليصبح مضيء بالكامل. بنور ازرق يمكن ان يرى من بعيد و يسطع في السماء. ويختلف عن الظاهرة الطبيعية الضيائية المعروفة.… pic.twitter.com/poT8TA20YZ
Como os satélites ajudam a estudar os mares leitosos?
A transição do fenômeno de curiosidade náutica para objeto de pesquisa ocorreu com sensores orbitais de baixa luz, como o Day/Night Band. Esses instrumentos registram o brilho noturno de cidades, nuvens iluminadas e, ocasionalmente, extensas áreas luminosas sobre o oceano em noites sem luar.
A comparação entre imagens de satélite e relatos de bordo permitiu confirmar a existência e a escala dos mares leitosos. Alguns eventos, detectados na região de Java e no Mar da Arábia, alcançam dezenas de milhares de quilômetros quadrados, durando vários dias consecutivos.
Os mares leitosos podem ser previstos com base no clima?
Com séries mais longas de imagens, pesquisadores passaram a relacionar a ocorrência dos mares leitosos a grandes padrões climáticos. Essas correlações ainda são estatísticas, mas ajudam a identificar condições que favorecem o fenômeno, como anomalias de temperatura e de nutrientes.
Entre os principais fatores investigados estão:
Dipolo do Oceano Índico: altera ventos, correntes e disponibilidade de nutrientes.
El Niño–Oscilação Sul: modifica a circulação global e a temperatura superficial do mar.
Floradas de algas: fornecem substrato e matéria orgânica para as bactérias luminosas.
Monitoramento orbital contínuo: permite mapear duração, extensão e intensidade dos eventos.
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