Frase do dia de Cora Coralina: “recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça”. Lições sobre recomeço da poeta que estreou em livro aos 75 anos
Cora Coralina escreveu "recria tua vida, sempre, sempre" no poema Aninha e suas pedras e viveu a própria lição ao estrear na literatura aos 75 anos
“Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.” O verso é de Cora Coralina — e ela viveu literalmente essa lição, publicando seu primeiro livro aos 75 anos.
Quem foi Cora Coralina e por que ela é referência em recomeço?
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu na cidade de Goiás em 1889 e morreu em Goiânia em 1985, aos 95 anos.
Antes de ser reconhecida como poeta, ela passou décadas como doceira na cidade de Goiás — o ofício que sustentou a vida dela por muito mais tempo do que a literatura.
Cora Coralina e Jorge Amado em Goiás Velho, 1977. pic.twitter.com/YjKs5N2nzh
— Fotos de Fatos (@FotosDeFatos) March 24, 2026
De onde vem o verso “recria tua vida, sempre, sempre”?
O verso pertence ao poema “Aninha e suas pedras”, publicado no livro “Vintém de Cobre — Meias Confissões de Aninha” (1983).
O poema fala de reconstruir a vida a partir do que parecia destruição — pedras que, em vez de soterrar, viram material para levantar algo novo.
Por que a biografia dela é a própria lição do poema?
Cora publicou “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, seu primeiro livro, em 1965 — aos 75 anos de idade, depois de décadas dedicadas à doçaria, não à escrita.
Não é uma frase motivacional genérica: a própria trajetória dela prova o verso. Recomeçar tarde, segundo a vida de Cora Coralina, não invalida o recomeço — só muda o momento em que ele acontece.
De doceira a poeta reconhecida, quase um século de vida entre pedras e livros.
1889
Nascimento em Goiás
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasce na cidade de Goiás, décadas antes de assinar como Cora Coralina.
Décadas seguintes
Vida como doceira
A escrita fica em segundo plano enquanto o ofício de fazer doces sustenta o dia a dia.
1965
Estreia literária aos 75 anos
“Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais” marca a entrada tardia — e definitiva — na literatura brasileira.
Por que é preciso ter cuidado com frases atribuídas a ela na internet?
Cora Coralina é, hoje, uma das autoras mais vítimas de atribuição falsa no Brasil — frases de origem incerta circulam com o nome dela sem nunca terem saído de nenhum livro publicado.
Por isso, vale usar apenas versos conferidos diretamente em edições publicadas, como a da Global Editora, e não frases soltas encontradas em imagens ou redes sociais.

Quais outros versos do mesmo poema falam sobre recomeço?
Do mesmo “Aninha e suas pedras”, vale conferir mais três trechos que reforçam a mesma ideia de recomeço:
- “Não te deixes destruir… ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.”
- “Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.”
- “Entre pedras cresceu a minha poesia.”
A trajetória de Cora Coralina ecoa outra lição sobre persistência que já mostramos por aqui: a de Martin Luther King Jr. sobre subir o primeiro degrau com fé, mesmo sem ver toda a escada. Quem quiser conhecer mais da vida da poeta pode visitar o acervo do Museu Casa de Cora Coralina.

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)