Fóssil do pé de Burtele confirma nova espécie e muda visão sobre a evolução dos hominídeos
Estudo identifica a origem do pé de Burtele
Uma análise recente trouxe novas evidências para um mistério que intriga paleoantropólogos há mais de uma década: a identificação de restos ósseos encontrados anos atrás na Etiópia.
Foi confirmado que o famoso “pé de Burtele” pertence a uma espécie distinta de Lucy, o Australopithecus deyiremeda, o que sugere uma árvore evolutiva humana mais complexa do que se imaginava.
Como sabemos que o “pé de Burtele” é de uma espécie diferente de Lucy?
Os restos foram inicialmente encontrados no sítio de Woranso-Mille, na região de Afar, Etiópia, e incluem oito ossos fossilizados de um pé humanoide. Embora à primeira vista o pé apresentasse algumas semelhanças com a estrutura humana moderna, o dedão destacado, semelhante ao dos macacos arborícolas e adaptado para agarrar galhos, chamou a atenção dos cientistas.
Após anos esperando-se encontrar partes superiores do crânio para associar o pé a uma espécie específica, a descoberta de dentes e fragmentos de mandíbula permitiu a identificação conclusiva dos restos como Australopithecus deyiremeda.

Como conviviam Australopithecus afarensis e Australopithecus deyiremeda na mesma região?
O achado do pé de Burtele é relevante por mostrar a coexistência temporal e geográfica entre Lucy (Australopithecus afarensis) e Australopithecus deyiremeda. Apesar de habitarem o mesmo território, diferenças anatômicas e ecológicas permitiam que ocupassem nichos distintos, evitando uma competição direta.
Enquanto Lucy e seus semelhantes viviam, em geral, nas planícies e se alimentavam de frutos, folhas e gramíneas, A. deyiremeda ocupava áreas mais arborizadas, baseando sua dieta em plantas e arbustos.
Por que o pé de Burtele apresenta características primitivas e modernas ao mesmo tempo?
O pé de Burtele revela uma combinação única de traços que lançam luz sobre a evolução da locomoção bípede. O dedo grande era oponível, mostrando vínculos com a vida arborícola, mas os outros dedos e a estrutura do pé sugerem a possibilidade de caminhar ereto em terra.
Uma característica interessante é que, ao contrário de Lucy, o impulso para a marcha bípede em A. deyiremeda vinha do segundo dedo, sugerindo um padrão diferente de locomoção.
Afinal, deyiremeda é uma espécie independente ou um elo com outros hominídeos?
A associação entre os restos dentários e mandibulares com o pé de Burtele gerou amplo debate entre os cientistas. Alguns pesquisadores consideram que deyiremeda pode ser um elo entre espécies como Australopithecus anamensis e A. afarensis.
Confira abaixo algumas características que sustentam a discussão:
- Semelhanças dentárias com outras espécies antigas do gênero Australopithecus.
- Diferenças marcantes na estrutura dos pés e na mecânica da locomoção.
- Adaptação ecológica distinta, permitindo a coexistência em áreas próximas.
🔬 3.4 million years later, the mystery is cracked.
— Sputnik Africa (@sputnik_africa) November 29, 2025
🇪🇹 Scientists have finally identified the owner of Ethiopia’s “Burtele Foot” fossils — revealing a previously elusive human ancestor that lived side-by-side with Lucy.
A breakthrough in one of evolution’s most puzzling… pic.twitter.com/gaNSVAuDml
O que revela o pé de Burtele sobre a evolução humana?
Apesar das dúvidas, o consenso atual é que a evolução humana não segue uma linha reta, mas sim um processo complexo com múltiplas espécies coexistindo e se adaptando a diferentes ambientes ao mesmo tempo.
O achado, publicado na revista Nature, acrescenta novas peças ao mosaico evolutivo, destacando que a compreensão dos nossos ancestrais ainda está longe de ser completa.
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