Josias Teófilo na Crusoé: O cinema contrarrevolucionário
Sylvester Stallone e Walter Hugo Khouri foram contra a corrente predominante
Existe uma abordagem midiática sobre a história do cinema que ressalta sempre o cinema revolucionário, seja no sentido político ou de costumes, o feminismo e liberação sexual etc, mas o cinema tem uma fortíssima tradição no sentido oposto, da contrarrevolução.
Essa tradição está presente no cinema europeu, no cinema americano e até no cinema brasileiro — em que existe uma hegemonia tão grande da esquerda.
Nos anos 1960, nos Estados Unidos, os grandes estúdios entraram em crise. Quase faliram por realizarem superproduções que não tiveram o retorno esperado.
A solução foi trazer jovens diretores e novos temas — surgiu assim a chamada Nova Holywood.
De repente, os filmes passaram a tratar do movimento hippie, da Guerra do Vienã, das lutas pelos direitos civis etc, isso tudo com uma estética bem específica, que quebrava regras (morais e de linguagem). Misturavam ficção e realidade, e por aí vai.
Enquanto isso, no começo dos anos 1970, Sylvester Stallone vivia na pobreza. Não conseguia papéis relevantes por causa da dicção e da paralisia no rosto. Notou que jamais lhe dariam um papel principal, e resolveu escrever o filme em que faria o personagem principal.
Mas o cinema estava cheio de filmes sombrios do pessoal da Nova Holywood (Taxi Driver, Serpico, French Connection), em que não havia propriamente um herói. Os protagonistas eram moralmente ambíguos.
Em entrevista à Playboy, em 1975, ele disse: “Eu estava cansado de histórias em que ninguém tinha uma chance. Queria um filme que inspirasse, não um que deprimisse”.
E mais: “Eu via todos aqueles filmes intensos, pesados, alternativos… mas ninguém falava sobre pessoas comuns tentando ser melhores. (…) Eu pensei: ‘e se eu fizer um filme totalmente sincero, quase antiquado?’”.
O resultado foi Rocky, de 1976, um dos maiores sucessos do cinema, que virou uma franquia com nove filmes.
Eric Rohmer escreveu para a famosa revista Cahiers du Cinema e fez parte da Nouvelle Vague, mas se distancia dos outros integrantes do movimento por ser católico, conservador e monarquista. Em 2001, fez um filme deliberadamente contrário à Revolução Francesa, L’Anglaise et le Duc.
O filme causou polêmica na França, foi considerado revisionista, nostálgico do Antigo Regime.
Como disse o próprio Eric Rohmer, é preciso fazer um primeiro ato de fé na esquerda, depois da qual tudo é permitido.
Essa é a situação no Brasil também, especialmente depois da vigência do Cinema Novo, que tornou-se hegemônico durante…
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