Fio de cobre de projeto do MIT de 1963 ainda orbita a Terra décadas depois
Especialistas revelam o que sobrou do anel de cobre no espaço
O anel de cobre no espaço foi uma ideia ousada dos anos sessenta que ainda deixa rastros reais na nossa órbita. Os cientistas queriam montar uma antena gigante para a comunicação militar, mas acabaram criando um lixo espacial que teima em não cair de volta para a Terra.
Por que os militares lançaram esse anel de cobre no espaço?
Para resolver o problema das transmissões de rádio que falhavam, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) criou o Projeto West Ford para a Força Aérea dos Estados Unidos. A intenção principal era soltar 480 milhões de agulhinhas de metal na órbita terrestre em 1963, servindo como um espelho de sinal totalmente à prova de quebras.
Naquela época de Guerra Fria, os militares precisavam de um sinal forte que as explosões solares ou os inimigos não conseguissem derrubar. Cada fio tinha apenas 1,78 centímetro, mas todos juntos funcionavam como uma ionosfera artificial para rebater as ondas dos radares de um lado para o outro do país.

Como os astrônomos reagiram a essa missão na época?
A comunidade científica da época odiou a ideia logo de cara e tentou barrar o lançamento de tanto material metálico. Os astrônomos tinham muito medo de que essa nuvem gigantesca atrapalhasse as observações dos telescópios, arruinando a visão limpa das estrelas.
Para acalmar os ânimos, os engenheiros prometeram que a pressão da luz do sol empurraria tudo de volta para a atmosfera em poucos anos. Segundo um relatório da Space Daily, esse debate ajudou bastante na criação do Tratado do Espaço Exterior de 1967, ditando regras rígidas sobre o que sobe aos céus.
O que deu errado na hora de espalhar os fios?
A mecânica da cápsula que guardava os fios falhou na hora de soltar as pequenas agulhas de maneira individual. Apenas uma taxa entre 25% e 45% da carga original se separou corretamente, enquanto o restante grudou e formou pesados aglomerados de metal.
Essas pelotas maiores ficaram presas lá em cima, contrariando tudo o que os criadores planejaram no papel. Abaixo listamos os três principais destinos desse material ao longo das décadas:
- Agulhas soltas: caíram e queimaram na atmosfera de forma natural, como os pesquisadores já esperavam.
- Aglomerados médios: foram caindo aos poucos, com a primeira queda anotada de forma oficial no ano de 1974.
- Bolas pesadas: dezenas de pedaços mais densos seguem girando ao redor do globo até os dias de hoje.
Quais são os números do lixo espacial que sobrou?
Os catálogos modernos que rastreiam o céu mostram que a sujeira do experimento norte-americano ainda marca presença lá no alto. A quantidade exata sofre bastante variação dependendo do radar que faz a leitura, pois os objetos escuros são muito difíceis de iluminar no vácuo.
A tabela abaixo compara os números registrados pelos principais órgãos de monitoramento sobre a quantidade de material que segue em órbita:
| Catálogo de rastreio espacial | Pedaços ativos identificados |
|---|---|
| CelesTrak (Monitoramento público) | 39 aglomerados |
| GCAT (Monitoramento independente) | 36 aglomerados |
| NASA (Relatório de 2013) | 46 aglomerados |
Existe risco de algum pedaço bater na gente hoje?
Apesar de parecer assustador ter bolas de metal voando soltas, o risco de você tomar uma pancada na rua é praticamente nulo. Como os fios originais são finos demais, a imensa maioria acaba derretendo completamente assim que atinge a barreira densa da nossa atmosfera.
Até o presente momento, ninguém relatou nenhuma colisão grave desses aglomerados contra os satélites de GPS que nos ajudam na rotina de trabalho. No fim das contas, o experimento serviu como um belo puxão de orelha na ciência global para frear o acúmulo de materiais inúteis no espaço.
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