Ferrovia de 933 km vai atravessar a Amazônia para tirar milhares de caminhões de grãos de uma das rodovias mais congestionadas do país
O corredor levará cargas até o rio Tapajós, onde o transporte continuará por embarcações
Grandes comboios de carga poderão substituir parte das viagens feitas por caminhões no corredor que atravessa Mato Grosso e chega ao Pará. A Ferrogrão, também chamada de EF-170, é uma ferrovia planejada com 933 km entre Sinop e Miritituba, voltada principalmente ao transporte de soja e milho. O projeto avançou nas análises jurídicas e nos estudos de concessão em 2026, mas ainda depende de licenciamento e contratação antes do início da construção.
Por onde passará a Ferrogrão entre Mato Grosso e Pará?
A ferrovia está projetada para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao distrito de Miritituba, em Itaituba, no Pará. O traçado acompanha um corredor utilizado para transportar a produção agrícola até os terminais do rio Tapajós.
A ANTT apresenta o projeto da Ferrogrão como uma ligação ferroviária destinada ao escoamento de mercadorias pelo Arco Norte.
A região de Sinop concentra atividades agrícolas que precisam de rotas para alcançar mercados externos. Miritituba funciona como ponto de transferência de cargas para embarcações que seguem pela hidrovia.
O percurso permitirá integrar o transporte ferroviário à navegação fluvial. Essa combinação é importante porque a ferrovia não está projetada para levar os grãos diretamente até os navios oceânicos em todos os destinos.

Como os trens poderão reduzir o número de caminhões na BR-163?
Os vagões transportarão grandes volumes de grãos em viagens concentradas, substituindo parte do movimento rodoviário de longa distância. A BR-163 é uma das principais rotas usadas pelos caminhões que seguem até Miritituba.
Na safra, o transporte de soja e milho exige viagens frequentes entre as áreas produtoras e os terminais de carga. A ferrovia foi proposta para oferecer outra maneira de realizar esse deslocamento.
Os estudos consideram uma capacidade de transporte de até 52 milhões de toneladas de produtos agrícolas por ano. Esse volume representa uma projeção de capacidade, não uma quantidade já transportada por trens.
Uma transformação semelhante na circulação de caminhões também é planejada em um corredor rodoviário de 846 km no Centro-Oeste que prevê duplicações e novos acessos. Na Ferrogrão, porém, a principal mudança será transferir parte da carga para os trilhos.
Por que o projeto inclui dois ramais além dos 933 km?
Os ramais permitirão alcançar instalações de carga que ficam fora do corredor ferroviário principal. Eles complementam a ligação entre Sinop e Miritituba prevista nos estudos da ANTT.
O plano identifica duas extensões complementares:
Os ramais pertencem à configuração estudada para a ferrovia. A ANTT informa que o traçado inicialmente sugerido não é necessariamente obrigatório para a futura concessionária.
O que o STF decidiu sobre a construção da Ferrogrão?
O Supremo Tribunal Federal validou, em maio de 2026, a lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim. A medida estava relacionada à área prevista para a Ferrogrão e para intervenções na BR-163.
O STF divulgou o resultado do julgamento da ADI 6553 em 21 de maio.
A decisão afastou uma contestação sobre a validade da lei. Entretanto, não autorizou automaticamente o início da construção, nem dispensou as licenças ambientais necessárias.
O licenciamento deverá avaliar os impactos do empreendimento e as medidas exigidas para proteger as áreas afetadas. A decisão judicial tratou da validade da legislação, enquanto a execução física depende de outras etapas.

Em que estágio estão o leilão e os estudos da ferrovia?
A ANTT aprovou atualizações dos documentos da futura concessão em setembro de 2026. O material inclui estudos de viabilidade, minuta de edital e contrato.
A Deliberação ANTT nº 275/2026 aprovou o encaminhamento dos documentos revisados ao Tribunal de Contas da União.
A análise do TCU integra a preparação da contratação. Depois dela, ainda serão necessários os procedimentos de concessão e as autorizações ambientais aplicáveis.
Assim, a Ferrogrão continua em fase de estruturação. O avanço dos documentos não corresponde ao lançamento de trilhos ou à existência de trens transportando grãos no corredor.
Quanto custará a Ferrogrão e quando poderá funcionar?
O investimento definitivo dependerá do modelo de concessão e das obrigações estabelecidas no processo de contratação. A página de referência da ANTT apresenta R$ 25,20 bilhões em despesas de capital ao longo da concessão, incluindo investimentos de implantação e despesas recorrentes.
Esse valor pertence ao modelo econômico apresentado pela agência e não deve ser tratado como dinheiro já gasto na construção. Os estudos financeiros passaram por atualização em 2026.
O cronograma de operação também depende das próximas decisões administrativas e do licenciamento ambiental. Sem a conclusão dessas etapas, não há entrega confirmada da ferrovia.
Quando estiver funcionando, a ligação poderá oferecer outra rota para a produção agrícola do norte de Mato Grosso. Até lá, o transporte dos grãos para os terminais do Tapajós continuará dependendo principalmente da infraestrutura rodoviária existente.
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