Existe um lugar onde relâmpagos aparecem em média 297 dias por ano e satélites registram cerca de 389 flashes por dia sobre o mesmo lago
Água quente, montanhas e ventos noturnos recriam tempestades no mesmo ponto
Em uma região cercada por montanhas, o céu noturno se transforma repetidamente em um dos pontos de maior atividade elétrica conhecidos no planeta. Duas grandes climatologias feitas com observações espaciais chegaram a números diferentes, mas complementares: tempestades profundas em média 297 dias por ano e um hotspot com cerca de 389 flashes visíveis por dia.
Onde fica o lugar com relâmpagos em quase 300 dias por ano?
Esse lugar fica sobre o Lago Maracaibo, no noroeste da Venezuela. A região é famosa pelos chamados Relâmpagos do Catatumbo, que se concentram principalmente sobre o setor sudoeste do lago e aparecem com maior força durante a noite.
Um estudo publicado no Bulletin of the American Meteorological Society analisou 16 anos de dados do Lightning Imaging Sensor e encontrou condições de convecção profunda no mesmo local em média 297 dias por ano.

De onde vem a média de 389 flashes por dia?
A média de 389 flashes por dia veio de uma climatologia posterior que passou a considerar também a extensão horizontal de cada descarga. O estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Atmospheres combinou dados dos sensores LIS e OTD e manteve Maracaibo como o principal hotspot global nessa métrica.
O número não representa 389 raios atingindo diretamente a água em um ponto fixo. A metodologia conta flashes que atravessam a célula analisada, inclusive descargas que começaram em outra região da nuvem e se estenderam horizontalmente sobre o local.
Por que as tempestades voltam tantas vezes ao mesmo lago?
A geografia reúne água quente, umidade abundante e montanhas capazes de organizar a circulação do ar. A NASA explica que brisas vindas das montanhas convergem sobre o ar quente e úmido da superfície, favorecendo a formação repetida de tempestades profundas.
- Água quente: fornece calor e umidade à atmosfera.
- Montanhas: cercam boa parte da bacia e direcionam os ventos.
- Convergência noturna: concentra o ar sobre o lago depois do pôr do sol.
- Convecção profunda: forma nuvens capazes de sustentar intensa atividade elétrica.

Os números de 297 e 389 medem exatamente a mesma coisa?
Não. Os dois valores vêm de métodos diferentes e não devem ser somados ou tratados como uma única contagem. O primeiro descreve a frequência média de dias com condições de tempestade profunda; o segundo mede quantos flashes atravessam, em média, o principal hotspot segundo outra climatologia.
Leia também: O Lago Maracaibo recebe em média 233 relâmpagos por quilômetro quadrado a cada ano.
Por que o fenômeno ficou conhecido como Farol do Catatumbo?
O apelido nasceu da repetição dos clarões sobre a mesma região. A atividade elétrica é tão persistente que relatos históricos associam suas luzes à orientação de navegadores no Caribe.
O que torna Maracaibo extraordinário não é uma tempestade permanente, mas a frequência com que a combinação entre relevo, água quente e circulação noturna reconstrói as condições necessárias para que os relâmpagos reapareçam.
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