Esta muralha espelhada projetada para chegar a 500 metros começou a tomar forma no meio do deserto
Imagens de satélite revelam o avanço real do megaprojeto saudita e mostram por que a cidade de 170 quilômetros está sendo construída em etapas
Uma faixa gigantesca aberta no deserto da Arábia Saudita alimentou imagens impressionantes nas redes sociais, mas a realidade da The Line é mais complexa do que os projetos futuristas sugerem. A obra existe, avançou em etapas preparatórias e fundações, porém o plano original de uma cidade linear de proporções inéditas está passando por uma forte revisão.
O que realmente está sendo construído na The Line?
The Line integra a região de NEOM, no noroeste da Arábia Saudita. O conceito apresentado originalmente previa uma cidade com 170 quilômetros de extensão, apenas 200 metros de largura e estruturas chegando a 500 metros de altura, envolvidas por fachadas externas espelhadas. A expectativa anunciada era acomodar até 9 milhões de habitantes.
Isso, porém, não significa que uma muralha pronta de 500 metros já esteja subindo por todo o deserto. Imagens de satélite mostram principalmente escavações, terraplenagem, vias de serviço, instalações industriais e trabalhos de fundação. A própria página oficial de The Line hoje descreve o empreendimento como um desenvolvimento realizado em múltiplas fases e orientado pela demanda.
Por que a The Line parece tão diferente nas imagens reais?
Os vídeos promocionais mostram duas imensas fachadas refletivas atravessando montanhas e deserto, mas chegar a esse cenário depende de uma sequência enorme de obras subterrâneas e estruturais. Por isso, quem observa fotografias aéreas atuais encontra muito mais solo escavado do que arranha-céus.
- Escavação e movimentação de grandes volumes de terreno.
- Preparação das fundações e áreas destinadas às estruturas.
- Construção de acessos e instalações para trabalhadores e equipamentos.
- Desenvolvimento concentrado em trechos menores do projeto original.
Um levantamento em vídeo do Business Insider utiliza imagens de satélite para comparar a visão divulgada para a megacidade com aquilo que efetivamente apareceu no terreno. O material é especialmente útil porque mostra a escala das escavações e ajuda a separar as representações digitais das estruturas realmente executadas até agora.
Por que a The Line não terá 170 quilômetros prontos tão cedo?
O projeto enfrentou uma mudança importante de escala. Reportagens da Reuters indicaram que os trabalhos foram reduzidos para priorizar um trecho inicial de aproximadamente 2,4 quilômetros, enquanto o plano completo permanece como uma ambição de longo prazo. Custos crescentes e a necessidade de reorganizar investimentos sauditas contribuíram para essa mudança.
Em abril de 2026, a Reuters informou que o fundo soberano saudita passou a priorizar investimentos domésticos com retornos mais claros e que The Line estava entre os megaprojetos que perderam prioridade, embora não tivesse sido oficialmente cancelado. Portanto, afirmar que os 170 quilômetros estão sendo erguidos simultaneamente seria incorreto.
O que mudou entre o projeto anunciado e a obra atual?
As dimensões gigantescas continuam associadas à visão original, mas não representam aquilo que estará concluído no curto prazo. Fotografias de satélite publicadas em 2025 mostraram atividade particularmente concentrada na área conhecida como Hidden Marina, com grandes movimentações de terra e trabalhos preparatórios.
A diferença é fundamental: os números de 170 quilômetros e 500 metros descrevem o conceito urbanístico divulgado para o empreendimento completo. O que existe fisicamente hoje corresponde às primeiras etapas de um projeto cuja execução foi redimensionada.
Como a The Line pretende funcionar sem carros e ruas tradicionais?
A proposta urbana continua baseada em reduzir a dependência do automóvel e concentrar residências, serviços, trabalho e lazer próximos uns dos outros. O planejamento também prevê sistemas de transporte coletivo rápido para percursos maiores dentro da estrutura linear. São objetivos do projeto, não características já disponíveis para moradores.
O mesmo cuidado vale para a promessa ambiental. NEOM mantém a sustentabilidade e o uso de sistemas de energia renovável entre os princípios do empreendimento, mas dizer que uma cidade pronta já funciona com energia 100% renovável seria antecipar uma realidade que ainda não existe.

A enorme cidade espelhada ainda poderá ser construída como foi apresentada?
Não existe confirmação de que toda a visão original será executada exatamente nas dimensões e nos prazos inicialmente imaginados. A estratégia saudita para grandes projetos mudou, e The Line passou a ser tratada de forma mais gradual enquanto custos, engenharia, infraestrutura e prioridades financeiras são reavaliados.
O que permanece impressionante é a escala do que já foi mobilizado no deserto. As cicatrizes lineares visíveis do espaço mostram que não se trata apenas de uma animação conceitual, mas também não representam uma muralha espelhada de 170 quilômetros já em construção vertical. Entre a imagem futurista e a obra real existe agora um projeto muito mais longo, dividido em fases e sujeito a novas mudanças.
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