Esquilos pretos se concentram justamente nos bairros mais frios e arborizados: 800 animais mostram que uma cidade pode empurrar a evolução em várias direções
Pesquisa em 197 parques de Montreal revela como temperaturas, cobertura florestal e rios influenciam a distribuição dos esquilos de pelagem escura
Esquilos pretos aparecem com maior frequência nas regiões frias e arborizadas de Montreal, no Canadá. Uma pesquisa publicada em julho de 2026 revelou que temperatura, vegetação e rios influenciam a distribuição desses animais, mostrando como diferentes ambientes de uma mesma cidade podem favorecer características hereditárias distintas.
Por que os esquilos pretos são mais comuns em determinadas regiões de Montreal?
Os pesquisadores investigaram o esquilo-cinzento-oriental (Sciurus carolinensis), espécie que apresenta indivíduos de pelagem cinza e preta. A coloração escura resulta de uma alteração genética associada ao gene MC1R, responsável por participar da regulação da pigmentação. Essa característica, conhecida como melanismo, pode oferecer vantagens em determinadas condições ambientais.
Ao contrário do observado em algumas cidades norte-americanas, onde os esquilos pretos são frequentes nos centros urbanos, Montreal apresentou maior concentração desses animais nas regiões menos urbanizadas. O padrão foi especialmente evidente ao norte e a oeste, onde temperaturas mais baixas e maior cobertura florestal criam ambientes diferentes daqueles encontrados nos bairros centrais.
Leia também: As pedras de Stonehenge que viajaram centenas de quilômetros e foram rastreadas por análises químicas
O que o levantamento revelou sobre os esquilos pretos?
Durante junho e julho de 2022, pesquisadores percorreram 197 parques da região metropolitana de Montreal, realizando observações padronizadas de 20 minutos. O levantamento direto registrou 750 esquilos. Posteriormente, a equipe incorporou informações das plataformas iNaturalist e SquirrelMapper, ampliando a análise para 1.734 registros.
Os resultados mostraram que aproximadamente 12,8% dos registros correspondiam a indivíduos melanísticos. Entretanto, essa proporção variou consideravelmente entre regiões, demonstrando que uma média municipal não representa adequadamente a distribuição dos animais. Cinco resultados ajudam a compreender essa diferença:
- O levantamento de campo incluiu 197 parques;
- Foram registrados diretamente 750 esquilos;
- A análise combinada reuniu 1.734 observações;
- Esquilos pretos apareceram em 49 parques;
- Temperaturas baixas e maior arborização favoreceram sua frequência.

Como o frio e a vegetação favorecem a pelagem escura?
A coloração preta pode apresentar vantagens térmicas, pois superfícies escuras absorvem mais radiação solar. Em ambientes frios, essa característica pode contribuir para o equilíbrio térmico dos animais. A pesquisa encontrou maior frequência de melanismo em locais com temperaturas de inverno mais baixas, resultado compatível com essa hipótese.
A vegetação também influencia a distribuição. Áreas com árvores abundantes apresentam diferenças de sombra, abrigo e continuidade do habitat. Os modelos indicaram que a urbanização afeta indiretamente a frequência de esquilos pretos, principalmente porque modifica a cobertura arbórea e a temperatura. Entretanto, o estudo não mediu diretamente a sobrevivência dos animais de cada coloração.
Quais evidências científicas explicam as diferenças entre populações?
O estudo foi conduzido por Francis Quang-Hai Dinh, da Universidade McGill, em colaboração com Isabella C. Richmond, Andrew P. Hendry e Allison M. Roth. Publicado em 22 de julho de 2026 no Journal of Animal Ecology, o artigo científico original combinou levantamentos visuais, observações de ciência cidadã e modelos estatísticos espaciais.
Os pesquisadores investigaram temperatura, cobertura vegetal, densidade de construções, superfícies impermeáveis e características geográficas. Também identificaram mudanças na frequência de melanismo próximas ao rio São Lourenço e seus afluentes. Esses cursos d’água podem dificultar a dispersão dos esquilos, restringindo o fluxo genético e contribuindo para a formação de populações com características diferentes.
O que distingue os esquilos pretos das regiões urbanas e arborizadas?
A comparação mostrou que a frequência de esquilos melanísticos aumentava principalmente em direção ao noroeste. Nas áreas centrais, a coloração escura representava uma parcela pequena dos registros, enquanto regiões próximas às florestas do norte apresentavam proporções maiores.
O estudo também identificou que a direção dessas mudanças variava conforme a região analisada. Isso significa que a relação entre urbanização e coloração não seguia um único padrão em toda a cidade. Rios e diferenças ambientais criavam divisões importantes.
| Indicador | Resultado observado |
|---|---|
| Parques pesquisados | 197 |
| Esquilos em campo | 750 |
| Registros combinados | 1.734 |
| Indivíduos melanísticos | 12,8% dos registros |
| Parques com esquilos pretos | 49 |
Como a descoberta pode mudar os estudos sobre evolução urbana?
Os resultados mostram que cidades não representam ambientes evolutivos uniformes. Mesmo dentro de uma região metropolitana, diferenças de temperatura, vegetação e conectividade podem favorecer características distintas. Para compreender essas populações, portanto, não basta comparar animais urbanos e rurais.
Entretanto, a distribuição observada não comprova que a seleção natural esteja atuando isoladamente. Migração, isolamento geográfico e história genética também podem explicar parte dos padrões. Novas análises de DNA, especialmente em margens opostas dos rios, poderão determinar como essas forças interagem e esclarecer por que populações próximas apresentam diferenças tão marcantes.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)