As pedras de Stonehenge que viajaram centenas de quilômetros e foram rastreadas por análises químicas
Análises químicas rastrearam blocos de Stonehenge até a Inglaterra, o País de Gales e uma região distante da Escócia
As pedras de Stonehenge não vieram de uma única região da Grã-Bretanha. Análises geoquímicas identificaram a origem dos grandes blocos de sarsen no sul da Inglaterra, enquanto pedras menores foram associadas ao País de Gales. Uma descoberta adicional apontou que a Pedra do Altar provavelmente veio da Escócia, a pelo menos 750 quilômetros.
De onde vieram as pedras de Stonehenge utilizadas na construção?
Erguido em diferentes etapas a partir de aproximadamente 3000 a.C., Stonehenge fica na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra. Seus monumentais blocos de arenito silicificado, conhecidos como sarsens, formam o círculo externo e as estruturas centrais compostas por pedras verticais e horizontais.
Durante séculos, a procedência exata desses blocos permaneceu incerta. Em 2020, pesquisadores identificaram West Woods, na região de Marlborough Downs, como a origem mais provável da maioria dos sarsens. O local fica aproximadamente 25 quilômetros ao norte do monumento, distância relativamente pequena quando comparada às origens das pedras menores.
O que as análises químicas revelaram sobre as rochas?
A investigação utilizou técnicas capazes de identificar pequenas diferenças na composição das rochas. Cada formação geológica possui combinações características de elementos químicos, permitindo comparar amostras do monumento com materiais encontrados em diferentes regiões.
Os resultados estabeleceram cinco informações importantes:
- Cinquenta dos 52 sarsens analisados apresentaram composição química semelhante;
- A maioria desses grandes blocos foi associada à região de West Woods;
- Pedras menores de dolerito foram vinculadas às montanhas Preseli, no País de Gales;
- Fragmentos de riolito foram relacionados ao afloramento Craig Rhos-y-felin;
- A Pedra do Altar apresentou assinatura mineral compatível com o nordeste da Escócia.
O documentário Where Did Stonehenge Come From?, de Paul Whitewick, acompanha o pesquisador David Nash e explica a identificação geoquímica da origem dos sarsens.
Como os cientistas rastrearam as pedras de Stonehenge?
O avanço decisivo ocorreu quando os pesquisadores analisaram um fragmento retirado da Pedra 58 durante trabalhos realizados em 1958. A amostra, devolvida ao Reino Unido décadas depois, permitiu estudar a composição interna do bloco sem danificar novamente o monumento.
A equipe utilizou fluorescência de raios X e espectrometria de massas para identificar concentrações de elementos químicos. Depois, comparou os resultados com amostras de afloramentos do sul britânico. A combinação encontrada em West Woods apresentou a correspondência mais consistente, permitindo localizar uma provável área de extração.
Quais evidências científicas apontam para origens tão diferentes?
O estudo de 2020, liderado por David Nash e publicado na revista Science Advances, identificou a principal procedência dos sarsens. Pesquisas anteriores já haviam associado diversos doleritos menores ao afloramento Carn Goedog e materiais riolíticos à região de Craig Rhos-y-felin, ambos no oeste galês.
Outra descoberta surgiu em 2024, quando um estudo publicado na revista Nature analisou grãos de zircão, rutilo e apatita da Pedra do Altar. As idades e composições minerais apontaram para a Bacia Orcadiana, no nordeste da Escócia. O resultado identifica uma região geológica provável, não uma pedreira específica.

Quais distâncias foram percorridas pelas pedras de Stonehenge?
As diferenças entre os materiais revelam uma rede de obtenção de rochas mais complexa do que se imaginava. Os grandes sarsens provavelmente vieram de relativamente perto, enquanto muitos blocos menores foram transportados por distâncias muito superiores.
A Pedra do Altar representa um caso excepcional: seu peso estimado de seis toneladas e a distância mínima de 750 quilômetros levantam questões sobre a organização dos construtores neolíticos.
| Material | Origem provável | Distância aproximada |
|---|---|---|
| Sarsens | West Woods, Inglaterra | 25 km |
| Doleritos | Montanhas Preseli, País de Gales | 225–250 km |
| Riolitos | Craig Rhos-y-felin, País de Gales | Cerca de 225 km |
| Pedra do Altar | Nordeste da Escócia | Pelo menos 750 km |
O que essas descobertas revelam sobre os construtores de Stonehenge?
O transporte dessas pedras exigiria planejamento, disponibilidade de trabalhadores e conhecimento das características do terreno. Trenós de madeira, cordas e deslocamentos por vias aquáticas estão entre as possibilidades investigadas para explicar como materiais tão pesados chegaram ao monumento.
Entretanto, identificar a origem geológica não determina automaticamente a rota utilizada. Pesquisadores ainda discutem os caminhos, os métodos de transporte e possíveis significados culturais dessas escolhas. Novas análises poderão localizar áreas de extração mais precisas e esclarecer como comunidades neolíticas estabeleceram conexões entre regiões distantes da Grã-Bretanha.
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