Entre 100 e 1.500 metros de profundidade existem regiões do oceano onde o oxigênio quase desaparece, mas acima e abaixo delas a água volta a ter concentrações maiores
Consumo biológico e pouca mistura mantêm camadas intermediárias pobres em oxigênio entre águas mais bem ventiladas
Em partes dos oceanos tropicais e subtropicais, sensores encontram uma configuração curiosa: águas relativamente oxigenadas próximas da superfície, uma camada intermediária onde o oxigênio despenca e, mais abaixo, concentrações que voltam a aumentar. Esse mínimo de oxigênio ocorre geralmente entre cerca de 100 e 1.500 metros e resulta da combinação entre consumo biológico, circulação lenta e pouca renovação da água.
Como se forma o mínimo de oxigênio entre duas camadas mais oxigenadas?
Na superfície, o oceano recebe oxigênio diretamente da atmosfera e também da fotossíntese realizada pelo fitoplâncton. Parte da matéria orgânica produzida nessa região afunda e começa a ser decomposta por microrganismos, que utilizam oxigênio durante a respiração.
Ao mesmo tempo, determinadas águas intermediárias recebem pouca ventilação proveniente de outras regiões do oceano. Quando o consumo biológico é elevado e a reposição é lenta, estabelece-se uma camada persistente com concentrações muito inferiores às encontradas acima e abaixo dela.
O que acontece dentro das zonas de mínimo de oxigênio?
Essas zonas não possuem exatamente os mesmos limites em todos os oceanos. No Pacífico tropical oriental, por exemplo, grandes regiões pobres em oxigênio aparecem aproximadamente entre 100 e 900 metros, enquanto no Mar da Arábia a camada pode se estender de cerca de 150 a 1.200 metros.
Entre os processos mais importantes estão:
- Matéria orgânica afundando a partir da superfície.
- Microrganismos consumindo oxigênio durante a decomposição.
- Circulação lenta reduzindo a reposição de oxigênio.
- Estratificação dificultando a mistura vertical.
- Correntes transportando águas com diferentes concentrações de oxigênio.
Este vídeo da University of California Television traz o oceanógrafo Yassir Eddebbar, da Scripps Institution of Oceanography, explicando diretamente as zonas de mínimo de oxigênio, sua formação e os possíveis efeitos sobre os ecossistemas marinhos.
Por que o mínimo de oxigênio não continua até o fundo?
A resposta está na origem das águas profundas. Grandes massas de água se formam principalmente em altas latitudes, onde a superfície oceânica é muito fria. Água fria consegue dissolver mais oxigênio e, ao afundar, transporta esse gás para regiões profundas antes de circular pelos grandes oceanos.
Por isso, abaixo de muitas zonas intermediárias pobres em oxigênio, os sensores registram uma recuperação gradual. Uma climatologia global publicada em 2026 confirma esse perfil médio: concentrações altas perto da superfície, mínimo aproximadamente a 1.000 metros e novo aumento em águas mais profundas.
Como uma camada pobre em oxigênio consegue permanecer presa no oceano?
A palavra “presa” ajuda a visualizar o fenômeno, embora não exista uma barreira física separando as águas. Diferenças de temperatura e salinidade produzem camadas de densidades distintas, reduzindo a mistura vertical e dificultando que oxigênio da superfície seja rapidamente transportado para a região intermediária.
| Faixa do oceano | Comportamento do oxigênio |
|---|---|
| Superfície | Reposição pela atmosfera e fotossíntese |
| Camada intermediária | Consumo elevado e pouca ventilação |
| Núcleo da zona | Concentração atinge os menores valores |
| Água profunda | Oxigênio volta a aumentar gradualmente |
A circulação lateral também importa. Regiões onde águas intermediárias permanecem muito tempo sem contato recente com a superfície tendem a perder mais oxigênio para a respiração biológica antes que novas massas oxigenadas consigam substituí-las.
Onde o mínimo de oxigênio pode chegar a valores extremos?
Algumas das zonas mais intensas aparecem no Pacífico tropical oriental e no Mar da Arábia. Em determinados núcleos, as concentrações podem se tornar extremamente pequenas, chegando perto do limite de detecção dos instrumentos e alterando processos químicos relacionados ao nitrogênio.
A NOAA explica as zonas de mínimo de oxigênio como camadas persistentes normalmente encontradas entre 100 e 1.500 metros. Muitos animais com grande demanda metabólica evitam esses ambientes, enquanto algumas espécies desenvolveram adaptações que permitem sobreviver com muito menos oxigênio.

O aquecimento dos oceanos pode ampliar essas regiões pobres em oxigênio?
O aquecimento pode contribuir de duas maneiras importantes. Água mais quente dissolve menos oxigênio e uma superfície mais aquecida pode aumentar a estratificação, reduzindo a mistura com camadas inferiores. Isso diminui a velocidade com que o oxigênio perdido pela respiração é reposto.
O mínimo de oxigênio é um fenômeno natural, mas sua expansão preocupa oceanógrafos porque pode comprimir habitats disponíveis para peixes e outros animais. O resultado revela uma estrutura escondida do oceano: uma faixa intermediária extremamente pobre em oxigênio literalmente situada entre águas mais respiravelmente favoráveis.
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