Em junho de 2026, o cofre de sementes de Svalbard chegou a 1.401.285 amostras, guardadas a -18 °C dentro de uma montanha onde o permafrost funciona como segurança extra
Duplicatas de bancos genéticos do mundo inteiro permanecem congeladas no Ártico como uma reserva de segurança para a diversidade agrícola
No Ártico norueguês, uma instalação escavada profundamente em rocha guarda cópias de segurança da diversidade agrícola mundial. Em junho de 2026, o cofre de sementes de Svalbard ultrapassou 1,4 milhão de amostras armazenadas, mantendo sementes congeladas para que bancos genéticos possam recuperar coleções perdidas no futuro.
Como o cofre de sementes de Svalbard chegou a 1.401.285 amostras?
Em 17 de junho de 2026 ocorreu o 70º depósito desde a inauguração da instalação, em 2008. Onze bancos genéticos enviaram 15.387 novas amostras, elevando o acervo exatamente para 1.401.285 amostras de sementes. Entre os participantes estavam instituições da África, Europa, Ásia e Américas.
O local não funciona como uma coleção destinada a fornecer sementes diretamente a agricultores. Sua finalidade é servir como reserva de segurança para materiais já conservados em bancos genéticos. A instituição que deposita uma amostra continua proprietária dela e mantém o direito de solicitar sua retirada.
Por que as sementes ficam permanentemente armazenadas a -18 °C?
A temperatura de -18 °C segue padrões usados para conservação de longo prazo em bancos genéticos. Antes do armazenamento, as sementes adequadas são secas e acondicionadas de maneira que a baixa temperatura reduza seu metabolismo e desacelere processos responsáveis pela perda de viabilidade.
O sistema depende de vários níveis de proteção.
- Sementes previamente secas e embaladas.
- Câmaras refrigeradas a -18 °C.
- Túneis e depósitos escavados em rocha sólida.
- Permafrost ao redor da instalação como proteção térmica adicional.
- Acesso restrito às caixas depositadas.
Neste vídeo oficial do Crop Trust, uma visita virtual percorre o Svalbard Global Seed Vault e mostra sua estrutura interna, os corredores escavados na montanha e as câmaras onde as caixas de sementes permanecem armazenadas.
Como o permafrost protege o cofre de sementes de Svalbard se a refrigeração falhar?
A refrigeração mecânica é responsável por manter as câmaras na temperatura planejada de -18 °C. O permafrost não substitui esse sistema durante a operação normal, mas ajuda a manter o ambiente naturalmente muito frio e reduz a energia necessária para a refrigeração.
Documentos técnicos do NordGen explicam que, mesmo diante de uma eventual falha da refrigeração, as condições de permafrost manteriam as sementes abaixo do ponto de congelamento por algum tempo. Portanto, a montanha funciona como uma camada adicional de segurança, mas não significa que os depósitos permaneceriam indefinidamente a -18 °C sem equipamentos.
Todas as sementes do planeta conseguem ser armazenadas dessa maneira?
Não. O cofre aceita principalmente sementes chamadas ortodoxas, capazes de tolerar secagem intensa e armazenamento prolongado em baixas temperaturas. Cereais, leguminosas e muitas hortaliças se enquadram nesse grupo, mas diferentes espécies apresentam longevidades muito distintas.
| Característica | Situação em Svalbard |
|---|---|
| Temperatura | -18 °C |
| Capacidade | Até 4,5 milhões de amostras |
| Acervo em junho de 2026 | 1.401.285 amostras |
| Tipo principal | Sementes ortodoxas |
Culturas como banana, algumas variedades de batata, coco, cacau e café exigem outras técnicas de conservação porque suas sementes podem não sobreviver à secagem e ao congelamento utilizados ali. Por isso, Svalbard é uma enorme reserva agrícola, mas não contém literalmente todas as espécies cultivadas do mundo.
Por que o cofre de sementes de Svalbard guarda duplicatas em vez das coleções originais?
A lógica é semelhante à de um backup. Bancos genéticos mantêm suas coleções principais disponíveis para pesquisa, melhoramento vegetal e regeneração das sementes, enquanto duplicatas são enviadas a Svalbard como proteção contra guerras, desastres naturais, falhas técnicas ou outras perdas.
As caixas permanecem sob o chamado sistema de “caixa-preta”: apenas o depositante pode solicitar suas próprias sementes. A página oficial do Svalbard Global Seed Vault acompanha os depósitos e confirmou que a marca de 1.401.285 amostras foi atingida em junho de 2026.

Quanto tempo essas sementes podem realmente permanecer viáveis?
Não existe uma validade única. O tempo depende da espécie, da genética, da qualidade inicial, da maturidade na colheita e das condições de processamento. O NordGen informa que sementes bem secas e embaladas de espécies particularmente longevas podem continuar viáveis por séculos quando mantidas a -18 °C.
Isso também explica por que Svalbard não elimina a necessidade dos bancos genéticos originais. Essas instituições continuam testando germinação, multiplicando materiais e enviando novas amostras quando necessário. O cofre funciona como a última cópia de segurança de um sistema internacional muito maior, protegendo variedades que podem ser valiosas para a agricultura futura.
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