Em 2018, cientistas bombearam 75 kg de corante vermelho no Atlântico, ao largo de Martha’s Vineyard; ao longo de 36 horas, eles descobriram que a mistura dentro da camada superficial era cerca de 140 vezes mais forte do que na sua base
Experimento com rodamina mediu como a estratificação limita o transporte vertical de substâncias nas águas costeiras do Atlântico
Ao mexer açúcar no café, você vê o líquido uniformizar rapidamente. No Oceano Atlântico, porém, um experimento com corante vermelho mostrou que a água pode circular com facilidade numa camada e quase parar diante da seguinte.
Um traçador tornou o movimento da água visível
Em agosto de 2018, pesquisadores liberaram 75 quilos de rodamina, um corante vermelho fluorescente, aproximadamente 28 quilômetros ao sul de Martha’s Vineyard, em Massachusetts. A experiência ocorreu no Atlântico costeiro, a partir do navio R/V Connecticut.
A equipe misturou a rodamina com etanol para aproximar a densidade da solução àquela da água superficial. Cerca de 130 galões da mistura foram bombeados logo abaixo da superfície, criando um traçador capaz de acompanhar o deslocamento da própria água.
O procedimento e os resultados foram descritos no estudo Horizontal and vertical spreading of dye in the coastal ocean of the northern Mid-Atlantic bight, publicado no periódico Continental Shelf Research. Os pesquisadores observaram as primeiras 36 horas da dispersão.
Como o corante vermelho foi acompanhado no mar?
O corante vermelho foi localizado por instrumentos que mediam sua fluorescência em diferentes profundidades. As observações foram combinadas com dados de temperatura, densidade e correntes, permitindo reconstruir o avanço horizontal e vertical da mancha.

Esse acompanhamento mostrou que a maior parte do traçador permaneceu na camada de mistura, região superficial agitada pelo vento, pelas ondas e pela troca de energia com a atmosfera. Durante cerca de 33 horas, 99% do material detectado estava nessa faixa.
Experimentos com traçadores também ajudam a examinar intervenções recentes nos oceanos. A reportagem abaixo mostra outra mancha avermelhada usada para acompanhar água tratada em condições reais.
Por que a camada superficial misturou tão mais?
A diferença veio da estratificação do oceano. Dentro da camada de mistura, a turbulência distribuiu o corante vermelho com difusividade vertical estimada em 7 × 10⁻⁴ metros quadrados por segundo.
Na base, onde a densidade da água muda mais intensamente, a difusividade caiu para aproximadamente 5 × 10⁻⁶ metros quadrados por segundo. A razão entre as estimativas é 140, indicando uma barreira pronunciada à mistura oceânica vertical.
O que os números revelam sobre a barreira?
Os números indicam que atravessar a base da camada superficial é muito mais lento do que circular dentro dela. O pouco corante vermelho encontrado abaixo apareceu de forma irregular, sem reproduzir diretamente a distribuição observada na superfície.
Parte desse material pode ter cruzado a fronteira antes, em outro ponto, e sido carregada lateralmente pelas correntes. Por isso, a presença do traçador em profundidade não revela sozinha onde ocorreu sua passagem entre as camadas.
A experiência ajuda a ler um oceano em camadas
A experiência perto de Martha’s Vineyard oferece uma medida direta de como a camada de mistura retém e redistribui substâncias. Esse conhecimento melhora modelos sobre calor, nutrientes e contaminantes transportados pelo Oceano Atlântico e por outras regiões marinhas.

O resultado descreve condições específicas daquele local e período, não uma proporção fixa para todo o oceano. Ao interpretar números sobre mistura oceânica, confira sempre profundidade, clima e método do estudo, e leve esse cuidado com você.
Outra pesquisa oceânica mostra como estruturas profundas podem ser examinadas sem serem vistas diretamente. A leitura complementa o panorama sobre as ferramentas usadas pela ciência no mar.
Cientistas descobrem fissura na placa tectônica em uma faixa oceânica ao largo da costa do Pacífico➔
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)