Em 1970, um casal do Texas se recusou a vender suas terras dentro de um parque nacional proposto; Em 1972, um tribunal concedeu a eles $55.000 e direitos vitalícios para permanecer
O casal não queria abandonar os 80 acres onde vivia e mantinha seu negócio, justamente quando a área era considerada essencial para a criação do futuro Guadalupe Mountains National Park.
Em 1970, Walter e Bertha Glover tomaram uma decisão que colocou seu pequeno pedaço do oeste do Texas no centro de uma disputa com o governo dos Estados Unidos.
O casal não queria abandonar os 80 acres onde vivia e mantinha seu negócio, justamente quando a área era considerada essencial para a criação do futuro Guadalupe Mountains National Park.
Por que o casal se recusou a vender a propriedade?
A propriedade dos Glovers tinha cerca de 32 hectares e ficava próxima à atual US Highway 62/180, em uma região estratégica para a formação do parque. O casal não pretendia simplesmente entregar o imóvel e deixar para trás sua casa e sua atividade comercial.
Bertha Glover teria informado aos representantes federais que não venderia a terra por menos de US$ 1 milhão. Além disso, os proprietários não permitiram que avaliadores do governo entrassem no terreno, tornando a negociação ainda mais complicada.
America’s national parks are gifts, passed from one generation to the next by trailblazers. Because of them, we have 433 places that hold our history and wonder. As we mark 250 years of independence, let’s honor those who came before us and carry their legacy forward. pic.twitter.com/K3e6dVKIao
— National Park Foundation (@NationalParkFdn) January 13, 2026
O que o governo ofereceu aos proprietários?
Em abril de 1970, o National Park Service apresentou uma proposta que tentava conciliar a criação da área protegida com a permanência dos moradores.
A ideia era comprar a propriedade e conceder aos Glovers um life estate, garantindo o direito de permanecer no local pelo resto de suas vidas.
Mesmo assim, Walter e Bertha rejeitaram a proposta. O impasse acabou levando o governo federal a recorrer à Justiça para obter a propriedade por meio de desapropriação.

Como os Glovers conseguiram permanecer no local?
A disputa terminou em março de 1972, quando uma decisão judicial estabeleceu uma indenização de US$ 55 mil pela propriedade.
O valor superou a avaliação inicial do governo, principalmente pela presença de poços de água, recurso especialmente valioso em uma região árida.
A decisão também garantiu ao casal o direito de permanecer no terreno e utilizar as construções existentes até a morte do último cônjuge. O acordo judicial assegurou, portanto, uma série de direitos importantes:
Por que a propriedade de Walter e Bertha ficou marcada na história do parque?
A terra dos Glovers foi a última propriedade adquirida antes da criação oficial do Guadalupe Mountains National Park, em 30 de setembro de 1972. O parque passou a proteger uma paisagem marcada por montanhas, formações rochosas e ambientes adaptados ao clima árido do oeste texano.
A história também ganhou importância por mostrar o lado menos conhecido da criação de grandes áreas protegidas: preservar uma paisagem pode exigir negociações complexas quando existem moradores e proprietários dentro das áreas planejadas.
O que aconteceu com Walter e Bertha depois do acordo?
Os Glovers não conseguiram impedir a incorporação da propriedade ao projeto do parque, mas sua resistência mudou o resultado da disputa. Em vez de simplesmente deixar o local, eles receberam uma indenização determinada judicialmente e conquistaram o direito de continuar vivendo ali.
O caso se tornou um exemplo marcante do choque entre conservação ambiental e direitos de propriedade. A criação do parque avançou, mas Walter e Bertha puderam permanecer em sua casa e continuar suas atividades até o fim da vida do último sobrevivente.
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