Durante 24 anos, alguns solos de floresta passaram a retirar mais metano do ar justamente enquanto o clima ficava mais quente e seco
Medições em 13 áreas florestais da Alemanha revelaram aumento da absorção de metano, associado a solos menos úmidos e temperaturas maiores.
Uma pesquisa acompanhou 13 áreas de floresta no sudoeste da Alemanha por períodos de até 24 anos e encontrou aumento médio de cerca de 3% ao ano na absorção de metano pelos solos. O resultado acompanhou a queda das chuvas e da umidade, além do aumento das temperaturas. A explicação envolve poros mais arejados e microrganismos consumidores do gás.
Como o solo florestal consegue retirar metano da atmosfera?
O trabalho é realizado principalmente por bactérias metanotróficas, que utilizam o metano como fonte de energia e o oxidam. Em solos bem arejados, o gás atmosférico atravessa pequenos espaços entre partículas até alcançar esses organismos.
Esse processo faz de muitos solos florestais um sumidouro de metano, gás de efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono por unidade de massa. A eficiência depende da circulação de gases, da temperatura, da umidade e das condições para a atividade microbiana.

O que as medições revelaram durante até 24 anos?
Pesquisadores da Universidade de Göttingen e do instituto florestal de Baden-Württemberg analisaram medições repetidas em florestas de faias e abetos. A divulgação científica da universidade descreve o acompanhamento:
- 13 áreas florestais monitoradas no sudoeste da Alemanha.
- Até 24 anos de observações; nem todas tiveram igual duração.
- Amostras de ar do solo coletadas aproximadamente a cada quinze dias.
- Verificação dos fluxos com câmaras colocadas sobre a superfície.
Por que a redução da chuva pode favorecer essa absorção?
A água ocupa parte dos poros do solo. Quando há menos umidade, mais espaços ficam preenchidos por ar, facilitando a entrada do metano até as bactérias. O aquecimento também pode acelerar sua atividade, dentro de limites ambientais.
Isso significa que aquecimento e seca sempre ajudam as florestas?
Não. A pesquisa publicada em Agricultural and Forest Meteorology identificou diferenças entre os locais, incluindo áreas com tendência de queda na absorção. A alta média de 3% não significa aumento idêntico em cada floresta, nem que uma seca extrema beneficie necessariamente os microrganismos.

Estudos em regiões com aumento das chuvas encontraram resultados opostos. Além da difusão do metano, importam a disponibilidade de oxigênio, as características químicas do solo e a saúde das comunidades microbianas.
O que essa descoberta muda nas previsões sobre o clima?
O estudo indica que chuva e temperatura precisam ser avaliadas conjuntamente ao estimar quanto metano os solos retiram da atmosfera. Para melhorar as projeções, os pesquisadores destacam a necessidade de:
- Manter medições por décadas nas mesmas áreas florestais.
- Incluir alterações regionais de precipitação nos modelos climáticos.
- Diferenciar solos bem drenados de ambientes permanentemente encharcados.
- Considerar condições que sustentam ou limitam as bactérias metanotróficas.
O potencial dos solos depende da água, do calor e da vida microscópica
O aumento registrado em florestas alemãs mostra que a resposta de um sumidouro natural de metano não segue uma regra única para todo o planeta. Uma diminuição de chuva pode favorecer a entrada do gás em determinados solos, mas mudanças mais severas podem produzir outros efeitos.
O resultado não compensa as emissões humanas nem demonstra que o aquecimento global seja benéfico. Ele reforça a importância de observar o funcionamento real dos ecossistemas antes de transformar tendências locais em previsões mundiais.
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