Duas redes de moda com mais de 500 pontos de venda entram em colapso e 4.700 empregos ficam por um fio
Um único bilionário controlava um império de varejo com cerca de 24 mil empregos, incluindo marcas tradicionais de moda popular e de luxo

O que você vai ver
- Quem é o bilionário por trás das duas marcas.
- O que aconteceu com fábricas de Bangladesh.
- Quais outras marcas do grupo também caíram.
- Como ficaram Peacocks e Jaeger separadamente.
Um único bilionário britânico controlava um império de varejo com cerca de 24 mil empregos, incluindo marcas tradicionais de moda popular e de luxo acessível. Antes de duas dessas marcas entrarem em colapso, o grupo foi acusado de deixar de pagar £ 27 milhões a fábricas de Bangladesh que produziam suas roupas.
Quem é o bilionário por trás das duas marcas?
O empresário é Philip Day, dono do grupo Edinburgh Woollen Mill, conglomerado britânico de varejo de moda que reunia marcas como Peacocks, Jaeger, a própria Edinburgh Woollen Mill e a rede de produtos para casa Ponden Home, somando cerca de 24 mil empregos no auge.
Em outubro de 2020, o grupo inteiro entrou em processo de administração judicial, colocando toda essa estrutura de empregos em risco simultaneamente, num dos maiores colapsos de varejo britânico daquele ano.
#edinburgh Woollen Mill closing down sale. Incredibly depressing times pic.twitter.com/UJOv20c96e
— Just what Chetser needs (@ShitChester) October 24, 2020
O que aconteceu com fábricas de Bangladesh?
Antes mesmo do colapso formal, a Associação de Fabricantes e Exportadores de Vestuário de Bangladesh acusou publicamente o grupo Edinburgh Woollen Mill de não pagar cerca de £ 27 milhões em faturas devidas a fábricas fornecedoras no país, alegação que expôs tensões na cadeia de suprimentos do grupo já antes da administração judicial.
Esse tipo de acusação chama atenção porque revela outra camada do colapso: não apenas empregos britânicos em lojas físicas, mas também trabalhadores da cadeia de produção internacional que dependiam diretamente dos pagamentos do grupo para manter suas próprias operações funcionando.
24 mil
empregos ligados ao grupo Edinburgh Woollen Mill como um todo, colocados em risco quando a administração judicial começou em outubro de 2020.
Quais outras marcas do grupo também caíram?
Além de Peacocks e Jaeger, o colapso do grupo Edinburgh Woollen Mill levou também ao fechamento definitivo de 56 lojas da própria marca Edinburgh Woollen Mill e de oito lojas da Ponden Home, eliminando outros 866 empregos além dos afetados diretamente por Peacocks e Jaeger.
- Outubro de 2020: grupo Edinburgh Woollen Mill inteiro entra em administração judicial.
- Acusação de dívida de £ 27 milhões com fábricas de Bangladesh.
- Novembro de 2020: Peacocks e Jaeger entram em administração separada, 4.700 empregos em risco.
- Fechamento definitivo de 56 lojas Edinburgh Woollen Mill e 8 lojas Ponden Home, mais 866 empregos eliminados.
Como ficaram Peacocks e Jaeger separadamente?
A Peacocks, rede de moda popular sediada em Cardiff, operava 423 lojas com 4.369 funcionários no momento da administração, enquanto a Jaeger, marca de moda mais sofisticada sediada em Londres, tinha 76 lojas e concessões, com 347 funcionários, incluindo 13 lojas fechadas e 103 empregos eliminados logo nos primeiros dias do processo.
A diferença de porte entre as duas marcas, uma de varejo popular em massa, outra de moda posicionada como mais exclusiva, mostra como o colapso do grupo atingiu simultaneamente segmentos bem diferentes do mercado de moda britânico, unidos apenas pelo mesmo dono e pela mesma estrutura financeira em dificuldade.
Assim como no caso de Oasis e Warehouse, outras duas marcas britânicas que colapsaram juntas no mesmo ano, o setor de moda do Reino Unido viveu em 2020 uma onda concentrada de falências que atingiu marcas de perfis muito diferentes ao mesmo tempo.
Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis no Retail Gazette.

Por que colapsos de grupos com várias marcas são mais complexos?
Quando um único empresário ou fundo controla várias marcas ao mesmo tempo, um problema financeiro na estrutura central pode arrastar simultaneamente negócios que, isoladamente, talvez tivessem performance operacional bem diferente entre si.
Esse tipo de colapso em cadeia dificulta também a resposta de fornecedores e credores, que muitas vezes não sabem exatamente qual parte do grupo deve o quê, problema que ficou evidente na disputa pública sobre os pagamentos não realizados às fábricas de Bangladesh antes mesmo da administração judicial começar oficialmente.
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