Duas redes de roupas entram em colapso juntas e 1.800 trabalhadores recebem a despedida depois que comprador não aparece
A marca que acabou levando o que restou já tinha comprado, meses antes, outra rede que também havia quebrado

O que você vai ver
- Quais duas marcas entraram em colapso juntas.
- Por quanto as marcas foram vendidas no fim.
- Por que a mesma compradora chama atenção.
- O que sobrou das lojas físicas.
Duas marcas de moda britânica entraram em colapso juntas em abril de 2020, eliminando 1.800 postos de trabalho depois que nenhum comprador apareceu disposto a manter a operação física funcionando. A marca que acabou levando o que restou já tinha comprado, meses antes, outra rede britânica que também havia quebrado.
Quais duas marcas entraram em colapso juntas?
As marcas são Oasis e Warehouse, ambas controladas pela Aurora Fashions, que entraram em processo de administração em 16 de abril de 2020, no meio dos primeiros bloqueios da pandemia no Reino Unido.
Em 30 de abril, os administradores judiciais confirmaram não terem encontrado comprador disposto a manter as duas redes funcionando como negócio em atividade, resultado que levou ao fechamento de 92 lojas próprias e centenas de espaços de venda dentro de outras lojas de departamento.
Q&A with Maria McCann of Aurora Fashions on pushing for innovation in #custexp: http://t.co/heiN51oAGn pic.twitter.com/tS4wJXKbv0
— Zendesk (@Zendesk) March 11, 2015
Por quanto as marcas foram vendidas no fim?
Sem comprador para a operação física, as marcas e o negócio online de Oasis e Warehouse foram vendidos, primeiro para a empresa de liquidação Hilco Capital, e depois repassados ao grupo de moda online Boohoo, por apenas R$ 36,7 milhões (£ 5,25 milhões).
Antes do colapso, as duas marcas somadas faturavam cerca de £ 46,8 milhões apenas com vendas online, o que torna o valor final de venda, poucos meses depois, uma fração pequena do faturamento digital que ainda geravam.
92 lojas próprias, centenas de espaços em lojas de departamento, £46,8 mi só em vendas online.
nenhuma loja física, marca e site vendidos por £5,25 mi.
Por que a mesma compradora chama atenção?
A Boohoo, grupo britânico de moda rápida vendida exclusivamente online, já havia comprado meses antes a marca e o site da Debenhams, outra tradicional rede britânica que também não sobreviveu à combinação de dívida acumulada e mudança de hábito de consumo, adquirida por £ 55 milhões.
- Abril de 2020: Oasis e Warehouse entram em administração.
- Fim de abril: administradores não encontram comprador para a operação física.
- Marca e site vendidos por R$ 36,7 milhões à Boohoo, via Hilco Capital.
- Boohoo já havia comprado a marca e o site da Debenhams meses antes.
Com essas aquisições sucessivas, a Boohoo consolidou uma estratégia clara: comprar apenas a marca, o site e o histórico de clientes de redes tradicionais que colapsaram, sem qualquer compromisso de preservar lojas físicas ou empregos ligados a elas.
O que sobrou das lojas físicas?
Nenhuma das 92 lojas próprias de Oasis e Warehouse, nem os espaços de venda dentro de outras lojas de departamento, foi incluída no acordo com a Boohoo, o que significou a perda definitiva de praticamente todos os 1.800 postos de trabalho ligados à operação física das duas marcas.
Assim como no caso da Debenhams, também comprada pela Boohoo sem incluir lojas físicas nem empregos, Oasis e Warehouse seguem existindo hoje apenas como marcas digitais, vendendo roupas online sob uma estrutura completamente diferente da que construiu seu reconhecimento original nas ruas comerciais britânicas.
Mais detalhes sobre a aquisição estão disponíveis no Business of Fashion.

Esse padrão de compra é vantajoso para quem compra?
Do ponto de vista de quem adquire apenas a marca, o modelo é vantajoso: fica com o reconhecimento de nome, a base de clientes e o histórico digital de vendas, sem herdar dívidas, contratos de aluguel de longo prazo ou obrigações trabalhistas ligadas às operações físicas anteriores.
Para trabalhadores e para as ruas comerciais onde essas lojas ficavam, o resultado é o oposto: o valor comercial da marca sobrevive e pode até crescer sob nova gestão digital, enquanto empregos e espaços físicos que sustentavam comunidades locais desaparecem por completo no processo.
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