Dinossauros caminhavam pela praia e encontravam comida trazida pelo mar: dentes fossilizados revelam uma dieta costeira inesperada
Dentes fossilizados revelam que dinossauros do Cretáceo se alimentavam de recursos vindos do mar, segundo isótopos de carbono analisados por geólogos do Arkansas

O que você vai ver
- Como isótopos de carbono no esmalte dentário funcionam como pista alimentar.
- Onde os dentes com essa assinatura marinha foram encontrados.
- Qual é a hipótese para explicar de onde vinha esse carbono extra.
- Por que uma espécie específica de herbívoro ficou de fora do padrão.
- Por que essa é considerada a primeira evidência desse tipo encontrada.
Dentes fossilizados de dinossauros do Cretáceo guardavam uma assinatura química que aponta para uma dieta costeira inesperada, sugerindo que esses animais caminhavam até a praia e aproveitavam recursos trazidos diretamente pelo mar.
Como os isótopos de carbono funcionam como pista?
A razão entre os isótopos carbono-13 e carbono-12, conhecida como δ13C, funciona como uma espécie de impressão digital química que passa da comida diretamente para o esmalte dentário de quem a consome, e em animais vivos essa marca costuma ficar entre 11 e 13 partes por mil acima do valor típico da própria dieta, parâmetro que os pesquisadores usam para reconstruir hábitos alimentares de espécies já extintas.

Onde os dentes foram encontrados?
A equipe, liderada pelo geólogo Clayton Forster, da Universidade do Arkansas, analisou fósseis de sítios costeiros situados ao longo do antigo Mar Interior Ocidental e da antiga costa do Golfo do México, datados do início do Albiano e do início do Cenomaniano, períodos que juntos cobrem aproximadamente entre 113 e 96 milhões de anos atrás, e encontrou valores de δ13C consistentemente mais altos nesses sítios costeiros do que em fósseis de sítios continentais.
Qual é a hipótese para esse carbono extra?
Os pesquisadores sugerem que a fonte adicional de carbono eram algas marinhas, possivelmente consumidas diretamente ou por meio de presas que já haviam se alimentado delas, hipótese reforçada pelo fato de o mesmo padrão aparecer em peixes, crocodilos, tartarugas e grandes herbívoros dos mesmos sítios costeiros, o que indica que essa fonte marinha estava posicionada bem na base da cadeia alimentar local, afetando diversos níveis do ecossistema.
Por que uma espécie ficou de fora do padrão?
O Tenontosaurus tilletti, grande herbívoro do Cretáceo, não apresentou essa assinatura marinha em seus dentes fossilizados, já que seu δ13C se mostrou semelhante ao de animais atuais que se alimentam exclusivamente de plantas terrestres, diferença que reforça a conclusão de que os valores mais altos encontrados em outras espécies refletem preferência alimentar real, não um processo geológico genérico que teria alterado o esmalte de forma indiscriminada após a morte dos animais.

Por que é a primeira evidência desse tipo?
Segundo os autores do estudo, publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, essa é a primeira identificação clara de subsídio marinho em ecossistemas pré-históricos, achado que abre caminho para pesquisas futuras verificarem se o mesmo fenômeno ocorreu também em outras latitudes e períodos geológicos, como o Jurássico ou o início do Cenozoico, lacunas que o estudo atual ainda não teve como cobrir.
Pistas químicas escondidas em fósseis que revelam hábitos nunca documentados antes também aparecem no relato sobre a rede de tecidos e artesanato que fechou 800 lojas após 82 anos de história.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do EurekAlert.
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