Corvos levaram apenas 235 milissegundos para escolher uma direção em testes e decidiram cerca de duas vezes mais rápido que humanos
Experimentos na Alemanha revelaram decisões visuais ultrarrápidas e identificaram sinais neuronais que antecedem as respostas das aves
Duas gralhas-pretas (Corvus corone) surpreenderam pesquisadores alemães ao realizar decisões visuais em apenas 235 milissegundos, aproximadamente metade do tempo registrado em estudos semelhantes com humanos e macacos. A pesquisa, publicada em outubro de 2026, revelou que os animais conseguem interpretar movimentos e responder rapidamente sem comprometer a precisão, oferecendo novas pistas sobre o funcionamento do cérebro das aves.
Como as gralhas-pretas foram treinadas para tomar decisões tão rápidas?
Pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, treinaram duas aves para reconhecer a direção predominante de pequenos pontos apresentados em uma tela sensível ao toque. Os estímulos se movimentavam em diferentes direções, exigindo que os animais identificassem o padrão correto.
Para responder, cada gralha precisava bicar o alvo correspondente. As respostas corretas eram recompensadas com alimento, incentivando a participação nos experimentos. Os cientistas variaram a dificuldade das imagens para investigar se decisões rápidas continuavam precisas quando as informações visuais se tornavam menos evidentes.
O que os testes revelaram sobre a velocidade das gralhas-pretas?
As aves responderam em aproximadamente 235 milissegundos, mesmo diante de padrões complexos. Quando a direção era evidente, a precisão aproximava-se de 100%. Nos exercícios mais difíceis, o desempenho continuava superior ao esperado por escolhas aleatórias.
O experimento revelou cinco características importantes:
- Duas gralhas-pretas participaram dos testes;
- O tempo médio de resposta foi de 235 milissegundos;
- Os estímulos consistiam em pontos móveis;
- A precisão aproximou-se de 100% nas tarefas fáceis;
- Sinais neuronais relacionados à escolha surgiram após 70 milissegundos.

Como o cérebro das gralhas-pretas processa informações visuais tão rapidamente?
Os pesquisadores monitoraram neurônios do nidopálio caudolateral, região cerebral envolvida em processos cognitivos complexos. Embora as aves não possuam um córtex cerebral organizado como o dos mamíferos, essa área desempenha funções comparáveis às do córtex pré-frontal.
A atividade neuronal começou a diferenciar as possíveis escolhas cerca de 70 milissegundos após a apresentação das imagens. Conforme o cérebro reunia evidências sobre o movimento, os sinais aumentavam progressivamente até alcançar um nível associado à resposta. Esse mecanismo lembra processos observados em primatas, mas ocorreu numa escala temporal menor.
Qual estudo científico demonstrou a velocidade de decisão das gralhas-pretas?
O estudo publicado na revista Science, em 22 de outubro de 2026, foi conduzido por Philipp Schmidbauer e Andreas Nieder, pesquisadores do Instituto de Neurobiologia da Universidade de Tübingen.
A equipe registrou a atividade de 248 neurônios durante os experimentos. Desse conjunto, 58 apresentaram respostas relacionadas à direção escolhida. Os resultados indicaram que os animais acumulavam informações sensoriais antes de decidir, contrariando a interpretação de que a velocidade refletiria apenas um movimento reflexo.
Quais números mostram a diferença entre gralhas-pretas e primatas?
Estudos anteriores com primatas registraram tempos de aproximadamente 410 a 600 milissegundos em tarefas semelhantes. As gralhas responderam em média em 235 milissegundos, embora as comparações envolvam experimentos realizados separadamente.
A dificuldade também influenciou discretamente os resultados: os tempos passaram de aproximadamente 220 milissegundos nas condições mais fáceis para 254 milissegundos nas mais difíceis. Portanto, a rapidez não eliminou completamente o efeito da complexidade visual.
| Indicador científico | Resultado observado |
|---|---|
| Aves participantes | 2 gralhas-pretas |
| Tempo médio de resposta | 235 milissegundos |
| Primeiros sinais neuronais | Cerca de 70 milissegundos |
| Neurônios registrados | 248 |
| Tempos em estudos anteriores com primatas | Aproximadamente 410 a 600 milissegundos |
Por que essa descoberta não significa que as gralhas-pretas sejam mais inteligentes que humanos?
A rapidez pode estar relacionada às exigências evolutivas das aves, que dependem de processamento visual eficiente para voar, evitar obstáculos e localizar alimentos. Entretanto, os pesquisadores ainda precisam investigar quais características neuronais produzem essa vantagem temporal.
O experimento não mediu inteligência geral, capacidade de planejamento ou resolução de problemas complexos. Além disso, apenas duas aves foram examinadas, e a comparação com humanos utilizou dados de pesquisas anteriores. Estudos com mais indivíduos e diferentes espécies poderão esclarecer se a velocidade representa uma característica ampla do cérebro aviário.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)