Construído para viajar tanto pelas ruas quanto diretamente pela água, este ônibus consegue abandonar o asfalto por uma rampa, transformar a própria carroceria em uma embarcação e continuar a viagem navegando com os passageiros dentro
Casco estanque, rodas e propulsão marítima permitem que veículos turísticos façam a transição direta entre ruas, rios e lagos
Eles parecem ônibus convencionais até chegarem a uma rampa e entrarem diretamente em um rio ou lago. Os ônibus anfíbios modernos combinam características de veículos rodoviários e pequenas embarcações em uma única estrutura, utilizando casco estanque, sistemas de flutuação e propulsão aquática própria. Exemplos reais operam em lugares como Roterdã, nos Países Baixos, e o lago Yamanaka, no Japão, principalmente como atrações turísticas que unem passeio terrestre e navegação sem trocar de veículo.
Como os ônibus anfíbios conseguem circular na rua e também flutuar?
Um ônibus comum não pode simplesmente entrar na água porque seu chassi não foi projetado para funcionar como casco. Em modelos anfíbios, a parte inferior é envolvida por uma estrutura estanque capaz de fornecer deslocamento suficiente para sustentar veículo, passageiros, motores e equipamentos. As rodas e componentes rodoviários permanecem disponíveis fora ou integrados a esse casco.
O princípio físico é o mesmo utilizado por qualquer embarcação: o veículo precisa deslocar água suficiente para equilibrar seu peso sem perder estabilidade. Projetos modernos utilizam alumínio naval, aço ou outros materiais estruturais e podem dividir o casco em compartimentos estanques para limitar a entrada de água caso alguma região seja danificada.
O que acontece quando o ônibus chega à rampa e entra na água?
A transição é realizada em rampas preparadas. O motorista reduz a velocidade, verifica as condições da entrada e conduz o veículo até que a flutuação passe a sustentá-lo. A partir desse momento, as rodas deixam de ser o principal meio de deslocamento e entra em ação um sistema de propulsão marítima instalado na parte traseira.
Dependendo do projeto, essa transformação envolve diferentes sistemas:
- Casco estanque capaz de sustentar o veículo;
- Propulsão aquática por hélice ou jatos de água;
- Bombas de porão para remover eventuais entradas de água;
- Equipamentos de segurança específicos para navegação;
- Controles adaptados para operação terrestre e aquática.
Este registro mostra um veículo da Splashtours saindo da rua e entrando diretamente no rio Nieuwe Maas, em Roterdã.
Como os ônibus anfíbios se movimentam quando as rodas deixam de ter função?
Não existe uma única solução. O Amfibus utilizado em Roterdã emprega jatos de água na navegação, enquanto outros projetos utilizam hélices ou unidades marítimas independentes. Um modelo comercial Swimbus, por exemplo, possui motores destinados especificamente à propulsão aquática e alcança cerca de 13 km/h na água.
A direção também muda. Em terra, volante, suspensão, pneus e transmissão funcionam como em um ônibus. Na água, a trajetória passa a depender do direcionamento do empuxo das hélices ou dos jatos. Essa duplicidade aumenta a complexidade porque todos os sistemas rodoviários continuam presentes mesmo quando o veículo está navegando.
Por que esses veículos precisam de regras de segurança diferentes?
Um veículo anfíbio precisa satisfazer exigências de dois ambientes com riscos muito distintos. Além de freios, iluminação e estabilidade exigidos para circulação rodoviária, a operação aquática envolve estanqueidade, flutuabilidade, equipamentos de salvamento, combate a incêndio, comunicação e procedimentos específicos de abandono. A Splashtours informa que seu veículo possui aprovações relacionadas tanto à navegação quanto à circulação terrestre.
Acidentes históricos com veículos anfíbios também demonstraram a importância dessas exigências. Investigações britânicas envolvendo antigos DUKWs turísticos identificaram problemas de certificação, modificações inadequadas e necessidade de treinamento de evacuação. Essas ocorrências não devem ser generalizadas para todos os projetos modernos, mas ajudaram a reforçar controles para esse tipo de operação.

Quais números mostram como um ônibus anfíbio real funciona?
Os veículos podem ter dimensões semelhantes às de ônibus urbanos. No Japão, o KABA 6 mede aproximadamente 12 metros de comprimento, pesa cerca de 13,9 toneladas e transporta até 40 pessoas, alcançando aproximadamente 5,8 nós na água. Outros modelos da mesma operação apresentam números próximos.
Um projeto desenvolvido em Taiwan mede 10,45 metros e transporta 30 passageiros mais dois tripulantes. As especificações técnicas estão disponíveis no centro de pesquisa naval responsável pelo projeto. Veja as especificações do Water Bus anfíbio
| Exemplo | Característica |
|---|---|
| KABA 6 | Até 40 passageiros |
| KABA 6 | Cerca de 13,9 t |
| Water Bus de Taiwan | 10,45 m de comprimento |
| Swimbus 12.01 | Até 13 km/h na água |
Por que os ônibus anfíbios aparecem principalmente em passeios turísticos?
A ideia também já foi considerada para transporte público, inclusive como alternativa a balsas. Na prática, porém, construir e operar um veículo que precisa cumprir simultaneamente requisitos rodoviários e marítimos adiciona peso, custo, manutenção e limitações de capacidade. Roterdã acabou transformando essa característica incomum justamente em atração turística.
O mesmo ocorre no Japão, onde diferentes KABA realizam passeios no lago Yamanaka. O grande atrativo é não precisar desembarcar: passageiros atravessam ruas normalmente, descem pela rampa e, segundos depois, continuam dentro do mesmo veículo enquanto ele navega. É essa transição direta entre dois ambientes que diferencia um verdadeiro ônibus anfíbio de um simples ônibus levado por uma balsa.
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