Condômino instala carregador para o carro elétrico e deixa o cabo atravessando a vaga de outra moradora, que precisa passar por cima dele todos os dias
Fiação estendida pelo chão da garagem dificulta o desembarque com carrinho de bebê e expõe o equipamento à passagem diária de pneus no subsolo.
Ao retornar de viagem e estacionar no prédio, Juliana encontrou um cabo atravessando sua vaga, bem onde desembarca com o carrinho do bebê. O equipamento pertencia ao carregador de carro elétrico instalado por Henrique, que recusou mudar o ponto para não pagar uma nova obra.
O morador pode passar cabos elétricos pelo piso da vaga vizinha?
Nenhum condômino tem permissão para estender fiação pelo chão da vaga de outro proprietário. O artigo 1.336 do Código Civil brasileiro proíbe o uso da propriedade de forma prejudicial à segurança e ao sossego alheios.
Mesmo quando a garagem possui áreas comuns de circulação, o espaço de parada e desembarque de Juliana não pode sofrer obstáculos físicos. A comodidade individual de recarga não sobrepõe o direito de vizinhança.

Quais riscos o esmagamento diário do cabo traz para a garagem?
Passar com os pneus do automóvel todos os dias sobre o condutor do carregador de carro elétrico danifica a camada protetora dos fios. A pressão repetida pode romper o isolamento interno e provocar aquecimento ou curto-circuito.
Além do perigo elétrico no subsolo, o fio solto no concreto cria uma barreira física. No cotidiano de Juliana, o cabo trava as rodas do carrinho de bebê e eleva o risco de tropeços com a criança.
O que as normas técnicas exigem na instalação para veículos elétricos?
A infraestrutura de recarga para veículo elétrico em edifícios deve obedecer às diretrizes da ABNT NBR 17019 e da ABNT NBR 5410. Esses padrões técnicos exigem proteção mecânica contra impactos e esmagamento da fiação.
Por esse motivo, o trajeto entre o quadro de medição e o aparelho precisa correr por eletrodutos fixados no teto ou na parede, chegando diretamente ao box do usuário sem cruzar o piso vizinho.
Os requisitos técnicos mostram por que a fiação exposta é irregular:
Custo de refazer o serviço instalado de forma irregular
A justificativa de Henrique de que reposicionar o equipamento geraria nova despesa com eletricista não obriga a moradora a tolerar o cabo. Quem executa instalação fora dos padrões técnicos assume o risco financeiro do retrabalho.
Em condomínios, qualquer intervenção elétrica na garagem depende de projeto prévio, Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e autorização do síndico. Obras feitas à revelia estão sujeitas a desfazimento às custas do infrator.
Quatro etapas costumam ser exigidas para regularizar o ponto de recarga:
Qual é o papel do síndico diante da fiação exposta no subsolo?
Ao receber o relato de Juliana, o síndico tem o dever legal de zelar pela segurança da edificação, conforme o artigo 1.348 do Código Civil. Manter cabo energizado sob rodagem de carros compromete a proteção coletiva.
A administração predial pode notificar o proprietário do carro elétrico para recolher imediatamente o fio do chão e suspender o uso até a adequação aérea, aplicando as multas previstas na convenção.
Como conciliar a recarga automotiva com a convivência na garagem?
A chegada dos automóveis eletrificados aos prédios exige planejamento técnico, mas não autoriza improvisos que invadam o espaço de quem desembarca com um carrinho de bebê. A vaga vizinha permanece inviolável.
Para resolver o impasse, Juliana pode registrar fotos do cabo atravessado e exigir providências formais à administração condominial, cabendo a Henrique custear o redirecionamento da tubulação caso queira manter o carregador ativo.
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