Com 96 km de duplicações, 44 km de vias marginais e mais de 107 km de acostamentos, vão transformar uma estrada de caminhões que corta o sertão entre dois estados
A obra deve melhorar a circulação de caminhões em um corredor importante do sertão
Uma rodovia utilizada por caminhões que atravessam o sertão nordestino deverá ganhar novas pistas, acessos e áreas laterais mais seguras. A Rota dos Sertões, entre Bahia e Pernambuco, foi apresentada pela ANTT com 96 km de duplicações, mais de 44 km de vias marginais e 107 km de acostamentos. O projeto reúne 502 km de rodovias, teve o contrato de concessão assinado em setembro de 2026 e prevê investimentos e serviços estimados em aproximadamente R$ 8,5 bilhões.
Onde fica a Rota dos Sertões entre Bahia e Pernambuco?
A Rota dos Sertões conecta a região de Salgueiro, em Pernambuco, ao contorno de Feira de Santana, na Bahia. O corredor reúne trechos das BR-116 e BR-324, formando uma ligação utilizada no transporte de mercadorias e nas viagens entre cidades.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o percurso atende municípios como Cabrobó, Euclides da Cunha, Tucano e Serrinha.
O movimento de caminhões é importante porque o corredor conecta regiões produtoras do interior a outras partes do Nordeste. A rodovia também atende motoristas que precisam chegar a cidades localizadas ao longo de seu trajeto.

Por que o projeto prevê 96 km de duplicações?
As duplicações foram planejadas para ampliar a capacidade da rodovia e separar veículos que circulam em sentidos contrários nos trechos selecionados.
No comunicado de maio de 2026, a ANTT apresentou uma previsão de aproximadamente 96 km de duplicações. Já a ficha técnica disponível no portal da agência registra 108,2 km para esse tipo de intervenção.
As duas quantidades aparecem em documentos oficiais de momentos diferentes da divulgação do projeto. A execução efetiva deverá seguir os anexos e as obrigações do contrato de concessão.
Para os motoristas, a função das novas pistas é reduzir a dependência de ultrapassagens pela faixa contrária. Isso é especialmente relevante em trechos onde caminhões carregados e veículos menores dividem a estrada.
Como funcionarão os 44 km de vias marginais?
As vias marginais são pistas paralelas à rodovia principal que ajudam a organizar acessos a bairros, propriedades e estabelecimentos próximos.
A página técnica da Rota dos Sertões apresenta 44,52 km de vias marginais no programa de obras.
Essas pistas permitirão separar parte dos deslocamentos locais das viagens de longa distância, nos pontos em que forem instaladas.
O projeto também prevê:
- 12 passarelas: travessias destinadas a pedestres.
- 24 paradas de ônibus: pontos para atendimento do transporte coletivo.
- Faixas adicionais: ampliação localizada da capacidade de circulação.
- Novos dispositivos de retorno: estruturas para organizar mudanças de direção.
A distribuição dessas obras depende das características de cada trecho. O objetivo é atender tanto os veículos que atravessam o sertão quanto os moradores que utilizam acessos próximos às cidades.
Por que serão implantados mais de 107 km de acostamentos?
Os 107,06 km de acostamentos previstos deverão ampliar as áreas laterais da rodovia em segmentos que precisam desse tipo de melhoria.
O acostamento é utilizado em situações específicas, como emergências e imobilizações necessárias. Ele não funciona como uma faixa adicional para os veículos ultrapassarem ou manterem a viagem.
A implantação exige preparar a base da pista, executar o revestimento e ajustar a drenagem. A água da chuva precisa ser conduzida para fora da estrutura sem comprometer a estabilidade do pavimento.
O uso correto dessas áreas também envolve sinalização. Um exemplo aparece no caso de um motorista que parou no acostamento para trocar um pneu e foi autuado por falta de sinalização, situação que mostra a importância dos cuidados durante uma emergência.

Como será o novo contorno viário de Serrinha?
O projeto prevê um contorno rodoviário em Serrinha, na Bahia, para oferecer uma alternativa a parte dos veículos que hoje atravessam trechos urbanos.
Um contorno permite que caminhões e automóveis de passagem sigam por outro caminho, evitando determinados cruzamentos e acessos utilizados pelos moradores.
A nova ligação terá de ser conectada às estradas existentes por dispositivos adequados de entrada e saída. Seu funcionamento dependerá da conclusão das pistas e dos acessos previstos.
A construção deverá ocorrer conforme o cronograma contratual. Até outubro de 2026, não há confirmação oficial de que todo o contorno já esteja disponível para circulação.
O que mudou depois do leilão da Rota dos Sertões?
O leilão foi realizado em 28 de maio de 2026, na B3, em São Paulo. O vencedor foi o Consórcio 116 Sertões, que apresentou desconto de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio.
O contrato foi assinado em 29 de setembro de 2026. Em comunicado publicado no dia seguinte, a ANTT confirmou o início da etapa de formalização e execução dos compromissos da concessionária.
O modelo também prevê cobrança eletrônica pelo sistema free flow, sem cabines convencionais de pedágio. A implantação dependerá das etapas e condições definidas no contrato.
A concessão terá prazo de 30 anos. Durante esse período, a empresa ficará responsável pelos serviços e pelas intervenções contratadas, sob fiscalização da ANTT.
Em outubro de 2026, portanto, a Rota dos Sertões já possui contrato assinado, mas as grandes duplicações, vias marginais e estruturas previstas ainda dependem de execução. Para os caminhões que atravessam Bahia e Pernambuco, a transformação virá com a entrega gradual das novas pistas e dos acessos.
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