Cinco fantasmas de supernovas apareceram juntos numa imagem: 200 horas de observação revelam cicatrizes estelares espalhadas por uma área enorme do céu
Mosaico astronômico realizado no Marrocos reúne vestígios de cinco explosões estelares em uma área do céu equivalente a mil luas cheias
Uma imagem astronômica produzida no Marrocos reuniu cinco remanescentes de supernovas em uma única composição, revelando enormes filamentos de gás deixados por antigas explosões estelares. O registro, realizado no Observatório de Oukaïmeden com aproximadamente 200 horas de observação, mostra uma região da constelação de Auriga equivalente à área de mil luas cheias e foi destacado pela NASA em setembro de 2026.
Por que cinco remanescentes de supernovas apareceram na mesma imagem?
A fotografia reúne estruturas produzidas por cinco explosões estelares independentes, ocorridas em diferentes momentos da história da Via Láctea. Embora pareçam próximas na imagem, os remanescentes estão situados a distâncias distintas da Terra, que podem alcançar vários milhares de anos-luz. Portanto, não representam uma única explosão nem necessariamente possuem alguma ligação física entre si.
A composição foi produzida pelos astrofotógrafos Stephane Vetter e Yann Sainty, utilizando observações realizadas no Observatório de Oukaïmeden, no Marrocos. O trabalho ganhou destaque em 24 de setembro de 2026, quando foi selecionado para o programa Astronomy Picture of the Day, da NASA. A imagem permite comparar simultaneamente estruturas formadas por diferentes mortes estelares, algo difícil de perceber em registros menos abrangentes.
Como 200 horas de observação revelaram os remanescentes de supernovas?
Os pesquisadores reuniram imagens obtidas durante diversas sessões de observação, totalizando exatamente 196 horas e 40 minutos de exposição. O trabalho utilizou uma composição de dez painéis, posteriormente combinados para produzir um mosaico contínuo. Esse procedimento permitiu registrar uma área extensa sem perder os detalhes de estruturas extremamente tênues.
As longas exposições foram necessárias porque os gases remanescentes das explosões emitem pouca luz quando observados da Terra. A composição destaca principalmente emissões associadas ao hidrogênio, representadas em vermelho, e ao oxigênio, apresentado em azul. Essas cores ajudam a identificar filamentos e regiões afetadas pelas antigas ondas de choque.
Entre os principais detalhes da imagem estão:
- Cinco remanescentes de explosões estelares independentes;
- Tempo acumulado de 196 horas e 40 minutos;
- Mosaico formado pela combinação de dez painéis;
- Área equivalente a aproximadamente mil luas cheias;
- Filamentos associados às emissões de hidrogênio e oxigênio;
- Presença do aglomerado estelar M37 e da Nebulosa do Girino.

Como os remanescentes de supernovas formam filamentos tão extensos?
Uma supernova ocorre quando uma estrela sofre uma explosão extremamente energética. Em determinados casos, isso acontece após o colapso do núcleo de uma estrela massiva; em outros, envolve a explosão termonuclear de uma anã branca. O evento lança material ao espaço em velocidades elevadas, criando ondas de choque que atravessam o gás existente ao redor.
Com o passar de milhares de anos, essas ondas se expandem, comprimem e aquecem o material interestelar. O resultado pode ser uma rede de arcos, cascas e filamentos luminosos. As estruturas registradas não mostram explosões acontecendo agora, mas os efeitos de acontecimentos antigos que continuam modificando o espaço ao redor.
Quais evidências confirmam a presença de cinco explosões estelares?
Os cinco remanescentes identificados possuem designações astronômicas próprias: G181.1+9.5, G182.4+4.3, G179.0+2.6, G180.0−1.7 e G178.2−4.2. O quarto também é conhecido como Sh2-240 ou Nebulosa Espaguete, devido à aparência de seus longos filamentos. Esses objetos já eram conhecidos individualmente, mas a composição permite observar sua distribuição em uma região muito mais ampla.
A NASA apresentou a imagem no Astronomy Picture of the Day, destacando as estruturas produzidas pelas cinco explosões. Os remanescentes possuem idades estimadas de até dezenas de milhares de anos. Alguns eventos podem ter sido observados por seres humanos antigos como estrelas temporariamente muito brilhantes, embora não exista confirmação histórica dessas observações.
Qual é o tamanho da região fotografada na constelação de Auriga?
A composição cobre uma área aparente equivalente a aproximadamente mil discos da Lua cheia distribuídos pelo céu. Essa comparação descreve a extensão angular da fotografia vista da Terra, não o tamanho físico dos remanescentes. Cada estrutura pode estar a uma distância diferente e ocupar dimensões próprias no espaço.
Além das cinco estruturas principais, o mosaico registra outros objetos astronômicos, incluindo o aglomerado aberto M37 e a Nebulosa do Girino. A presença desses elementos permite visualizar diferentes componentes da Via Láctea na mesma direção, destacando como nuvens de gás, estrelas e restos de explosões podem aparecer sobrepostos.
| Remanescente | Identificação |
|---|---|
| G181.1+9.5 | Primeiro à esquerda |
| G182.4+4.3 | Segundo remanescente |
| G179.0+2.6 | Terceiro remanescente |
| G180.0−1.7 | Nebulosa Espaguete |
| G178.2−4.2 | Quinto remanescente |
O que a imagem revela sobre a evolução das estrelas na Via Láctea?
O registro demonstra que os efeitos de uma supernova permanecem visíveis muito depois de sua explosão inicial. As ondas de choque transportam energia, movimentam gases interestelares e espalham elementos químicos pelo espaço. Parte desse material poderá participar de processos futuros de formação de estrelas e sistemas planetários.
A fotografia também destaca a importância das observações prolongadas na astronomia. Quase 200 horas de exposição permitiram revelar estruturas extremamente tênues, oferecendo uma visão ampla de fenômenos normalmente estudados separadamente. Embora a imagem não represente a descoberta de cinco supernovas novas, ela mostra como explosões antigas continuam deixando marcas na estrutura da nossa galáxia.
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