Cientistas encontram vestígio de fundo do oceano de 250 milhões de anos entre 410 e 660 km sob o Pacífico e descoberta muda o que se sabia sobre a Terra
O achado revela pistas sobre processos escondidos nas profundezas do planeta
Um pedaço do fundo oceânico pode desaparecer da superfície e ainda deixar marcas no planeta. Cientistas mapearam uma estrutura fria e espessa entre 410 e 660 km sob o Pacífico, na zona de transição do manto. Os dados indicam que ela pode guardar o vestígio de uma placa que começou a afundar há cerca de 250 milhões de anos.
Onde está a estrutura encontrada pelos cientistas?
A estrutura fica a leste da Dorsal do Pacífico Leste, no sudeste do oceano Pacífico. Essa região marca o encontro de placas que se afastam e formam novo fundo oceânico.
O estudo publicado na Science Advances identificou uma zona de transição do manto mais espessa que o normal. Os autores relacionaram essa anomalia a uma antiga placa oceânica que afundou no interior da Terra durante a era Mesozoica.

Como as ondas sísmicas revelaram o antigo fundo oceânico?
As ondas sísmicas revelaram a estrutura porque mudam de velocidade ao atravessar materiais com temperaturas e propriedades diferentes. Ao comparar muitos sinais, a equipe montou uma imagem das camadas escondidas sob o oceano.
A Universidade de Maryland comparou o método a uma tomografia do interior do planeta:
Como uma placa oceânica chegou a centenas de quilômetros de profundidade?
A placa chegou ao manto por subducção, processo em que uma placa tectônica mergulha sob outra. O fundo oceânico, mais frio e denso, pode descer junto com a borda da placa.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos explica que placas atuais descem ao manto a velocidades de 2 a 8 cm por ano. Em milhões de anos, esse movimento leva grandes blocos para regiões muito profundas:
- O fundo oceânico envelhece: a placa esfria, fica mais densa e se afasta da dorsal onde nasceu.
- As placas se encontram: a borda mais densa começa a mergulhar sob outra placa.
- O material entra no manto: crosta, rochas e sedimentos seguem para zonas de maior pressão.
- A descida perde velocidade: mudanças nos minerais podem segurar parte da placa na zona de transição.
O que a descoberta muda nos modelos do interior da Terra?
A descoberta indica que algumas placas afundam mais devagar e deixam marcas por muito mais tempo. Na região estudada, o material teria descido a cerca de metade da velocidade esperada pelos pesquisadores.
Os dados reunidos pela Universidade de Maryland ajudam a comparar o movimento previsto com o cenário encontrado sob o Pacífico:
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Quais novas perguntas o vestígio deixa para os cientistas?
O vestígio abre a possibilidade de existirem outras placas antigas presas em diferentes partes do manto. Mapear essas estruturas pode revelar onde oceanos desapareceram, como continentes se moveram e por que certas regiões profundas têm formas incomuns.
A equipe pretende ampliar o levantamento para outras áreas do Pacífico. Cada novo mapa poderá ligar movimentos da superfície a marcas guardadas durante milhões de anos. A Terra recicla sua crosta, mas nem sempre apaga suas pegadas.
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