Cientistas descobrem que árvores “conversam” entre si através de uma internet subterrânea de fungos
Ao caminhar por uma floresta, parece que cada árvore vive isolada, disputando luz, água e espaço
Ao caminhar por uma floresta, parece que cada árvore vive isolada, disputando luz, água e espaço. Estudos em ecologia de solos, porém, revelam uma vasta rede subterrânea ligando raízes, fungos e sementes.
Muitos cientistas chamam esse sistema de comunicação e troca de substâncias de “internet das árvores”.
O que é a internet das árvores?
A expressão descreve as redes micorrízicas formadas entre raízes e fungos no subsolo. O micélio conecta plantas de diferentes espécies, criando uma malha por onde circulam carbono, nitrogênio e outros nutrientes, integrando árvores adultas e plântulas.
Nessa relação mutualística, plantas fornecem açúcares da fotossíntese, e fungos ampliam a absorção de água e minerais. Quando muitas espécies se associam ao mesmo fungo, formam-se “hubs” subterrâneos que funcionam como infraestrutura ecológica de suporte e comunicação.
Simulador de Rede Micorrízica
Ative a rede para ver a transferência de recursos.
Como as redes de micélio funcionam na prática?
Experimentos com moléculas de carbono marcadas mostram que esses compostos podem viajar de uma planta a outra pelo micélio. Coníferas e bétulas, por exemplo, já foram observadas trocando carbono em florestas mistas, sugerindo cooperação além da competição direta.
Essas redes também favorecem a instalação de plântulas em ambientes sombreados, recebendo carbono de árvores adultas. Em solos pobres, o compartilhamento de nutrientes aumenta a sobrevivência de mudas e ajuda na recuperação de áreas degradadas.
- Carbono: Açúcares produzidos via fotossíntese.
- Energia: Combustível para o crescimento do fungo.
- Minerais: Fósforo e Nitrogênio do solo profundo.
- Água: Absorção ampliada por hifas microscópicas.
- Defesa: Alertas sobre pragas vizinhas.
Como as árvores se comunicam por essa rede?
Além de nutrientes, circulam sinais químicos que funcionam como alertas. Quando uma planta sofre ataque de insetos ou estresse hídrico, libera compostos que viajam pelo micélio e alcançam vizinhas conectadas, antecipando respostas de defesa.
Entre os principais processos mediados pela rede estão:
- Transferência de carbono: compartilhamento de açúcares entre plantas interligadas.
- Transporte de nutrientes minerais: como nitrogênio e fósforo, aumentado pela área de absorção do micélio.
- Sinais de estresse e ataque: mensagens químicas que induzem produção de toxinas e reforço de barreiras.

Essa rede subterrânea é sempre cooperativa?
A mesma estrutura que favorece cooperação também permite disputas. Algumas plantas “puxam” mais nutrientes da rede, prejudicando vizinhas menos eficientes, e espécies invasoras podem usar compostos químicos para inibir o crescimento de concorrentes conectadas.
Há, contudo, evidências de estratégias coletivas contra inimigos comuns. Em sistemas agrícolas, plantas ligadas por micélio coordenam defesas químicas frente a pragas e ervas daninhas, mostrando que a rede pode servir tanto para sabotagem quanto para proteção conjunta.
O canal AlkhemyLab apresenta uma outra versão dessa pesquisa:
Por que entender essa rede importa hoje?
O estudo da internet das árvores orienta projetos de restauração florestal e conservação. Conhecer quais fungos criam redes mais eficientes ajuda a escolher combinações de espécies que fortalecem a saúde do solo e aceleram a recuperação de áreas degradadas.
Na agricultura, solos ricos em micélio funcional podem reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos.
Isso torna lavouras e florestas tropicais mais resilientes a pragas e mudanças climáticas, revelando que, sob o solo, a floresta é um sistema integrado de trocas contínuas.
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