Cientistas criaram matéria mais quente que o sol por alguns segundos
Aceleradores recriam condições do Big Bang com temperaturas impossíveis na Terra
A matéria sempre pareceu simples: sólido, líquido, gasoso e plasma. Mas quando físicos empurram temperatura e pressão para limites extremos, surgem estados que parecem ficção científica, revelando formas exóticas e surpreendentes de organização molecular.
O que realmente define cada estado da matéria?
Tudo depende do movimento das moléculas, da temperatura e da pressão ao redor. Esses fatores determinam se uma substância fica sólida, líquida, gasosa ou vira plasma completamente ionizado, mudando radicalmente conforme as condições ambientais.
O canal PIPA, com 595 mil inscritos, explora como a água congela a 0 ºC e ferve a 100 ºC em condições normais, mas no fundo do oceano pode atingir 300 ºC sem ferver. No topo do Everest, ferve por volta de 68 ºC, mostrando como a pressão transforma totalmente a organização da matéria.
Por que o plasma não é o estado final?
O plasma surge quando um gás é tão aquecido que átomos se quebram em íons e elétrons, formando um gás ionizado presente em chamas, relâmpagos e, principalmente, nas estrelas. Essas grandes bolas de plasma representam a maior parte da matéria visível do universo.
Ao esquentar o plasma ainda mais, os choques chegam ao nível dos prótons e íons, criando campos eletromagnéticos intensos. Esse processo dá origem a um estado raríssimo e instável de matéria super aquecida, abrindo espaço para protagonistas subatômicos ainda mais exóticos e fascinantes.
Os estados extremos da matéria desafiam nossa compreensão básica e revelam propriedades únicas:
- Temperaturas além de bilhões de graus Celsius
- Partículas fundamentais como quarks e glúons se libertam
- Viscosidade extremamente baixa, comportamento de líquido perfeito
- Tempo de vida medido em frações de segundo
- Recriam condições do Big Bang em laboratório
Como surgem glasma e plasma de quarks e glúons?
Quando o plasma atinge temperaturas absurdas, surge o glasma, um estado transitório em que prótons e íons se chocam e logo se desfazem. Esse processo gera partículas ainda menores, como quarks, glúons e antiquarks, formando o chamado plasma de quarks e glúons.
Esse plasma atinge trilhões de graus e, segundo modelos físicos, existiu logo após o Big Bang. Hoje talvez esteja escondido nos núcleos densíssimos de estrelas de nêutrons, sendo recriado na Terra apenas por instantes em aceleradores de partículas, como o Large Hadron Collider.

O que acontece próximo ao zero absoluto?
Ao resfriar um gás até quase -273,15 ºC, o famoso zero absoluto, as partículas praticamente param de se mover e entram no seu estado quântico mais baixo. Embora impossível alcançar exatamente, é possível se aproximar muito dessa temperatura limite.
A menor temperatura obtida até hoje ficou a um trilionésimo de grau acima desse limite. Isso permitiu observar efeitos quânticos a olho nu, como o condensado de Bose-Einstein, em que a matéria se comporta como um líquido ideal com superfluidez, subindo por tubos finíssimos sem resistência e conduzindo eletricidade sem perda energética.
A tabela abaixo compara os estados extremos da matéria e suas características únicas:
Por que estados exóticos revolucionam a ciência?
Esses estados extremos, do plasma de quarks e glúons ao condensado de Bose-Einstein, ajudam a entender desde os primeiros instantes do universo até materiais que podem revolucionar tecnologias. Mesmo difíceis de manter e explorar hoje, eles abrem portas para aplicações futuras em supercondutores, computação quântica e energia.
Mergulhar nesses estados extremos é um convite para explorar como o universo esconde camadas ainda pouco conhecidas, revelando que a matéria é muito mais complexa e fascinante do que imaginávamos nas aulas básicas de física.
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