Cametá é a cidade do interior onde quase todo mundo tem casa própria, diz o IBGE
Com 91,9% dos moradores em domicílio próprio, o município paraense de Cametá tem o maior índice do país, puxado por herança e autoconstrução, não por financiamento.
Quase 92 em cada 100 moradores vivem em imóvel do próprio morador, o maior índice do país.
No nordeste paraense, Cametá tem 91,9% de moradores em domicílios próprios, a maior proporção do Brasil entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. O número é do Censo Demográfico 2022 do IBGE e coloca esse município do interior do Pará no topo de um ranking dominado por lugares bem distantes das grandes capitais.
O que sustenta essa marca, porém, é menos financiamento bancário e mais um jeito antigo de fazer casa.
O número que faz de Cametá um caso à parte
A comparação deixa o dado ainda mais impressionante. Enquanto na cidade paraense nove em cada dez moradores vivem em casa própria, a média brasileira é bem menor.
Segundo o Censo 2022 divulgado pelo IBGE, 72,7% da população do país mora em domicílio próprio de algum morador, seja já pago, herdado, ganho ou ainda em pagamento. Cametá supera essa média nacional em quase 20 pontos percentuais, um abismo estatístico para um único município.
E há um contraponto que ajuda a entender o tamanho da diferença.
O extremo oposto do mapa da casa própria
Na outra ponta do mesmo levantamento estão cidades onde o aluguel virou regra. O retrato inverso mostra o quanto Cametá foge do padrão das áreas mais dinâmicas economicamente.
Ainda pelo Censo 2022, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, lidera o aluguel entre municípios de mais de 100 mil habitantes, com 45,2% da população em imóvel alugado. Em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, mais da metade dos moradores paga aluguel, o único caso do país nessa situação.
São cidades de expansão rápida, com gente chegando de fora, o oposto da estabilidade que marca o interior paraense. E a raiz dessa estabilidade, como os números adiante mostram, tem muito a ver com quem construiu a própria casa.
Por que tanta gente tem casa própria em Cametá
Aqui está o ponto que muda a leitura do recorde. Ter casa própria em Cametá raramente significou financiar um apartamento na planta.
Em cidades do interior amazônico, a casa própria costuma nascer da autoconstrução em terreno de família, erguida aos poucos pelo próprio morador, e da herança passada entre gerações. Não é o mesmo mercado imobiliário aquecido que move as capitais litorâneas, e sim uma tradição de fixação à terra.
Isso aparece na idade de quem é dono. No Pará, a maior concentração de moradores em domicílio próprio está entre pessoas com 70 anos ou mais, enquanto a faixa que mais aluga é a de 25 a 29 anos, justamente a que ainda não herdou nem construiu.

Casa própria não conta a história toda
Um índice alto de casa própria impressiona, mas não deve ser lido isolado como sinônimo de riqueza. O mesmo Censo revela as outras faces da moradia no Pará.
O estado tem um dos menores índices de conectividade do país, e municípios vizinhos a Cametá aparecem entre os de maior proporção de moradores dividindo o mesmo dormitório. Ter o teto próprio, portanto, convive com desafios de infraestrutura e de qualidade das residências que o número de propriedade sozinho não revela.
A casa é do morador, mas isso não elimina as carências de uma região historicamente distante dos grandes centros.

O que Cametá ensina sobre morar no interior
O caso paraense mostra que o sonho da casa própria, tão associado a financiamento e crédito nas cidades grandes, tem outro caminho no interior: o da terra de família e da construção própria. É um modelo mais lento, porém mais enraizado.
Essa lógica ajuda a explicar por que tantas famílias buscam cidades do interior em busca de qualidade de vida e espaço, longe do peso do aluguel urbano. E, para quem mira a casa própria pela via tradicional do crédito, vale acompanhar mudanças como as novas regras de uso do FGTS autorizadas para 2026, que afetam diretamente o financiamento habitacional.
No fim, Cametá lembra que o mapa da casa própria no Brasil não segue o dinheiro, e sim as raízes. Onde a família fica, o teto tende a ser do morador.
Este conteúdo tem caráter informativo e se baseia em dados públicos do Censo Demográfico 2022 do IBGE.
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