Bilionário vai gastar US$ 1 bilhão numa cidade e jura que não quer um centavo de lucro
Fundador da Quicken Loans cria entidade sem fins lucrativos para recuperar o Renaissance Center e 35 acres da orla leste, num plano de US$ 2,2 bilhões
Quem já emprestou dinheiro a um amigo sabe como funciona: combina o prazo, às vezes cobra juros e espera a devolução. O bilionário americano Dan Gilbert resolveu fazer o contrário, numa escala muito maior. Em 19 de outubro, ele prometeu cerca de US$ 1 bilhão a uma nova entidade sem fins lucrativos, que vai reformar o Renaissance Center e a orla leste de Detroit. O dinheiro não será devolvido, e nem ele nem as empresas dele vão receber lucro.
O que Dan Gilbert prometeu fazer com US$ 1 bilhão em Detroit?
A promessa é de cerca de US$ 1 bilhão em capital de desenvolvimento, entregue como doação. Segundo o comunicado divulgado pela ROCK, escritório da família Gilbert, a nova organização vai reformar, ser dona e administrar o Renaissance Center, conjunto de torres espelhadas à beira do rio Detroit. O pacote inclui um distrito de 35 acres, cerca de 14 hectares, hoje ocupado em grande parte por estacionamentos a céu aberto.
A entidade ainda não tem nome e será registrada como 501(c)(4), categoria americana de organizações de bem-estar social. A Bedrock, empresa de investimento imobiliário fundada pelo dono da Quicken Loans, vai gerenciar o projeto sem cobrar nada. A prefeita de Detroit, Mary Sheffield, chamou o gesto de “verdadeiramente histórico”. Gilbert disse que o Renaissance Center é “um símbolo de Detroit” e que a orla está entre os bens mais valiosos da cidade.

Como o lucro do Renaissance Center vai voltar para a cidade?
O dinheiro que o complexo gerar segue uma ordem definida no anúncio. Primeiro, a receita paga custos de operação, parcelas de dívidas, reservas e reinvestimento nos imóveis. Só o que sobrar depois disso vai para iniciativas de apoio aos moradores e à comunidade. A General Motors, parceira no plano, já havia se comprometido em 2024 a doar à educação local qualquer lucro que recebesse do projeto.
Há um detalhe pouco comum nesse tipo de filantropia: doações a entidades 501(c)(4) não podem ser abatidas do imposto de renda federal americano. O conselho inaugural terá o reverendo Wendell Anthony, presidente da seção de Detroit da NAACP, entidade de defesa dos direitos civis, e Bill Emerson, ex-presidente executivo da Rocket Companies. Quem gosta de acompanhar megaprojetos que mudam a cara de uma orla encontra outro exemplo no site.
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Quem é o fundador da Quicken Loans que apostou em Detroit?
Gilbert fundou em 1985, na região metropolitana de Detroit, a Rock Financial, empresa de crédito imobiliário que passou a se chamar Quicken Loans em 1999. Em 2021, a marca virou Rocket Mortgage, dentro do grupo Rocket Companies. A mudança para o centro da cidade veio antes. “Onze anos atrás, começamos a mudar nosso negócio para Detroit”, disse em 2021 Jay Farner, então presidente executivo da Rocket.
A revitalização urbana também virou frente de filantropia da família. Em março de 2021, a Gilbert Family Foundation e o Rocket Community Fund anunciaram US$ 500 milhões em dez anos para os bairros da cidade. Um balanço das duas entidades, de março de 2026, informa que quase US$ 300 milhões já tinham sido aplicados até o fim de 2025. Entre as ações estão mais de US$ 52 milhões em dívidas de imposto predial quitadas para quase 13 mil donos de casas.

Plano de US$ 2,2 bilhões prevê empregos e espaço público na orla
O plano completo soma US$ 2,2 bilhões, com a participação da GM, e projeta mais de 8 mil empregos locais na construção e 2.600 vagas permanentes. Para os cofres da prefeitura, a estimativa é de US$ 301,5 milhões em benefício fiscal direto ao longo de 30 anos. O mesmo cálculo aponta US$ 3,03 bilhões em gastos de novos visitantes no período.
Esse projeto de revitalização urbana inclui 18 acres, cerca de 7 hectares, de espaço cívico aberto ao público. Também estão previstas moradias a preço acessível e áreas reservadas a pequenos negócios da cidade. O cronograma, os valores de cada etapa e o nome da entidade serão divulgados conforme a criação da organização avançar, segundo o comunicado.
No fim, a lógica lembra a do amigo que empresta sem pedir nada de volta, só que o beneficiado aqui é uma cidade inteira. Num mercado de investimento imobiliário movido a retorno, o fundador da Quicken Loans propõe que um cartão-postal gere renda para a comunidade, e não para o dono. Se você também ficou curioso para saber como essa conta vai fechar, acompanhe com a gente os próximos capítulos dessa história em Detroit.
Para continuar no universo dos bilionários, o Lado OA também tratou de uma frase que circula com o nome do fundador da Microsoft. O texto discute o que a ideia diz sobre trabalho e produtividade.
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