Bélgica se junta à Dinamarca, França, Alemanha e mais cinco países para transformar o Mar do Norte em uma usina de 300 GW
Nove países querem elevar a eólica offshore do Mar do Norte a pelo menos 300 GW até 2050, com redes integradas e produção de hidrogênio.
O Mar do Norte virou o centro de uma das maiores apostas energéticas da Europa: nove países querem levar a capacidade eólica offshore combinada a pelo menos 300 GW até 2050. O plano inclui parques marítimos, redes compartilhadas, interconectores e produção de hidrogênio renovável.
Quais são os nove países envolvidos na meta de 300 GW?
A declaração assinada em Ostende, em abril de 2023, reuniu Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Reino Unido. O objetivo comum é transformar a região dos Mares do Norte em um grande polo europeu de geração renovável.
A Comissão Europeia participa da coordenação regional pela North Seas Energy Cooperation. Hoje, o grupo formal reúne oito desses países e a Comissão, enquanto o Reino Unido mantém uma estrutura própria de cooperação assinada após sua saída da União Europeia.

O que significa transformar o Mar do Norte em uma usina de 300 GW?
Não se trata de uma única usina. A meta representa a soma de parques eólicos offshore instalados por diferentes países e conectados por redes nacionais e internacionais. Os governos estabeleceram cerca de 120 GW para 2030 e pelo menos 300 GW até 2050.
Segundo a Comissão Europeia, a cooperação busca aproveitar o potencial renovável da região e desenvolver uma malha offshore de eletricidade e hidrogênio capaz de cruzar fronteiras.
Como parques eólicos de vários países poderão funcionar de forma integrada?
A estratégia vai além de instalar turbinas próximas às costas. Os países estudam ilhas energéticas, cabos submarinos, interconectores híbridos e redes offshore capazes de levar eletricidade de um parque para mais de um mercado, reduzindo a dependência de conexões exclusivamente nacionais.
Bélgica, Dinamarca, Alemanha e Países Baixos também trabalham na criação de uma rede marítima mais interligada. Outros projetos bilaterais conectam ilhas energéticas, sistemas elétricos e futuras áreas de geração distribuídas pelo Mar do Norte.
Entre os elementos previstos na transformação estão:
Qual será o papel do hidrogênio nessa nova infraestrutura?
Parte da eletricidade produzida no mar poderá alimentar eletrolisadores para gerar hidrogênio renovável. A proposta é atender indústrias difíceis de eletrificar diretamente e criar uma segunda forma de transportar a energia produzida pelos parques eólicos.
A declaração de Ostende também apoia o desenvolvimento de um mercado funcional para esse combustível. Alemanha, Dinamarca, Países Baixos e Reino Unido estabeleceram metas combinadas de cerca de 30 GW de capacidade de produção de hidrogênio até 2030.
Os números centrais ajudam a mostrar a escala pretendida:
Por que compartilhar redes pode ser tão importante quanto construir turbinas?
Uma rede integrada permite que a energia siga para diferentes mercados conforme produção, consumo e disponibilidade das conexões. Isso pode reduzir gargalos, melhorar o aproveitamento dos parques e diminuir a necessidade de construir estruturas separadas para cada projeto nacional.
A declaração oficial também prevê coordenação de planejamento marítimo e de rede. Entre os projetos citados estão conexões entre Bélgica e Dinamarca, Bélgica e Reino Unido e estudos envolvendo Países Baixos, Alemanha e outras áreas de geração offshore.
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A meta de 300 GW já está garantida para 2050?
Não. Os 300 GW representam uma ambição política conjunta, não capacidade já contratada ou construída. Será necessário ampliar portos, fábricas, redes elétricas, cadeias de fornecimento e licenciamento, além de viabilizar investimentos suficientes nas próximas décadas.
Em 2026, a cooperação continuava ativa, com novos compromissos para projetos transfronteiriços e segurança energética. A Declaração de Ostende permanece como referência da meta de transformar os Mares do Norte em um polo de pelo menos 300 GW até 2050.
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