Baltasar Gracián: “O bom, se breve, duas vezes bom”. O aforismo 105 de um jesuíta de 1647 que Schopenhauer traduziu
Baltasar Gracián e o aforismo 105 sobre brevidade, traduzido por Schopenhauer, com 3 máximas do Oráculo Manual
“O bom, se breve, duas vezes bom.” A frase é o aforismo 105 do Oráculo Manual e Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, jesuíta espanhol do século 17, publicado no Brasil pela Martins Fontes como A Arte da Prudência.
Quem foi Baltasar Gracián?
Gracián foi um padre jesuíta e escritor espanhol, vivendo entre 1601 e 1658, período conhecido como o Século de Ouro espanhol. Publicou o Oráculo Manual em 1647, uma coleção de 300 aforismos numerados sobre como agir com prudência no mundo.
O livro reúne conselhos práticos sobre convivência social, discrição e autocontrole, num estilo condensado que se tornou marca registrada do autor.
“Truth is generally seen, rarely heard.”
— Philosway (@philosway) July 24, 2026
— Baltasar Gracián pic.twitter.com/VHlyyN0D7u
Por que Schopenhauer decidiu traduzi-lo para o alemão?
O filósofo alemão Arthur Schopenhauer admirava tanto a obra de Gracián que fez sua própria tradução do Oráculo Manual para o alemão, chamando o livro de “absolutamente único” e “um companheiro para a vida inteira”.
Essa tradução ajudou a difundir Gracián muito além da Espanha, consolidando o Oráculo Manual como referência de literatura de aforismos lida até hoje em diversos idiomas.
Por que brevidade é uma forma de respeito ao outro?
O aforismo 105 continua, na versão original, dizendo que “até o ruim, se pouco, não é tão ruim”: a ideia central é que se estender demais em qualquer assunto, bom ou ruim, desgasta quem está ouvindo, e ser conciso é uma cortesia com o tempo alheio.
Gracián descreve, no mesmo aforismo, o homem “pesado de um assunto, e de uma palavra”, figura de quem se alonga sem perceber que já perdeu a atenção de quem escuta. A brevidade, nessa lógica, não é apenas estilo: é consideração prática.

Por que o livro segue sendo lido quase 400 anos depois?
O Oráculo Manual circula até hoje traduzido para dezenas de idiomas, muitas vezes lido fora do contexto religioso original, como manual prático de conduta social e profissional, especialmente em ambientes de liderança e negociação.
Parte do apelo está justamente na forma: 300 aforismos curtos são mais fáceis de revisitar em partes do que um tratado longo e sistemático, reforçando na própria estrutura do livro o valor da brevidade que ele defende.
Como isso se aplica fora da escrita, no dia a dia?
O princípio vale para conversas, reuniões e qualquer situação de comunicação: dizer o essencial primeiro, sem enrolar o assunto para parecer mais importante ou mais elaborado do que precisa ser.
- Uma explicação longa nem sempre convence mais do que uma explicação precisa e curta.
- Cortar o que não sustenta o argumento central é, segundo Gracián, uma forma de fortalecer o que resta, não de empobrecer o conteúdo.
Esse mesmo princípio de cortar até sobrar só o essencial, aplicado à escrita, é também o método descrito por Graciliano Ramos e as lavadeiras de Alagoas.

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