Arqueólogos descobriram uma cidade maia intacta escondida na selva mexicana por mais de mil anos, preservada porque simplesmente não havia estrada para alcançá-la
Batizada de Ocomtún, ela foi identificada a partir de imagens produzidas com tecnologia a laser e confirmada após dias de caminhada
Entre maio e junho de 2023, pesquisadores localizaram em plena mata fechada de Campeche, no México, os vestígios de uma antiga cidade maia até então ausente dos mapas.
Batizada de Ocomtún, ela foi identificada a partir de imagens produzidas com tecnologia a laser e confirmada após dias de caminhada por áreas sem estradas. A descoberta reacendeu o interesse sobre a organização do território maia na região central da península de Yucatán.
O que é Ocomtún e por que a cidade maia foi redescoberta
Ocomtún significa “coluna de pedra” em maia yucateco, em referência às colunas cilíndricas espalhadas pela área monumental. Os levantamentos iniciais indicam um importante centro maia, com zona central acima de 50 hectares, incluindo pirâmides, praças, altares e um jogo de bola.
A monumentalidade mostra que não se tratava de simples aldeia rural. Um complexo em forma de acrópole tem cerca de 80 metros de extensão e sustenta uma pirâmide de aproximadamente 25 metros de altura, cercada por outras estruturas de até 15 metros, reforçando seu papel cerimonial e político regional.
More Hidden Mayan Ruins uncovered by LiDAR
— Ancient Hypotheses (@AncientEpoch) March 11, 2024
In a biological preserve in Mexico’s Campeche State, a team of #archaeologists has documented #pyramids, palaces, a ball court and other remains of an #ancient city they call Ocomtún "stone column".
Located in the Balamku ecological… pic.twitter.com/Z906krrcHn
A tecnologia lidar usa pulsos de laser emitidos por aeronaves para medir o relevo mesmo sob densa floresta. Em Campeche, as imagens mostraram plataformas, vias antigas, elevações artificiais e padrões geométricos que apontavam para uma grande cidade maia oculta.
Com esses dados, a equipe percorreu cerca de 60 quilômetros por mata fechada, em região quase sem estradas. O lidar não substituiu o trabalho de campo, mas orientou com precisão onde concentrar o esforço humano e acelerou um processo que poderia levar décadas com prospecções tradicionais.
Quando Ocomtún floresceu no contexto maia
Fragmentos de cerâmica indicam que Ocomtún teve seu auge no Período Clássico Tardio, entre 600 e 800 d.C. Esse recorte integra o Período Clássico maia, marcado por grandes pirâmides, amplas praças, estelas esculpidas e intensas redes de troca.
Estar ativo nesse momento associa Ocomtún a forte dinamismo político nas terras baixas centrais. Suas pirâmides, altares e colunas de pedra provavelmente serviam a rituais religiosos, cerimônias de legitimação de governantes e celebração de alianças regionais.
An unprecedented discovery has been made beneath a sprawling group of Lost Ancient Maya cities discovered deep in the jungles of Mexico.
— Ancient Hypotheses (@AncientEpoch) July 16, 2024
The sites, discovered with LiDAR are located within an area of 140 sq. kilometers, in the Balam Ku' ecological reserve in the Mexican state of… pic.twitter.com/eexpkLPHmQ
Por que a ausência de estradas modernas é tão reveladora
A região de Ocomtún permaneceu sem estradas modernas, o que explica seu desconhecimento até 2023. Por décadas, pesquisas se concentraram em áreas próximas a cidades, fazendas e rodovias, deixando muitos sítios de difícil acesso fora do radar arqueológico.
Essa situação evidencia como a infraestrutura atual condiciona o que é estudado. Em Ocomtún, essa relação pode ser sintetizada em três pontos principais:
Vazio nos mapas modernos: a área aparecia como pouco conhecida nos levantamentos.
Paisagem ativa no passado: as construções indicam intensa ocupação e planejamento urbano.
Dependência de acesso: estradas atuais ainda orientam a concentração de pesquisas.
O que ainda falta descobrir sobre Ocomtún
Pouco se sabe sobre nomes de governantes, eventos históricos específicos ou vínculos com cidades vizinhas. Estelas, monumentos e possíveis inscrições ainda precisam ser estudados em detalhe para revelar a trajetória política do sítio.
Pesquisas futuras devem incluir escavações estratigráficas, análises refinadas de cerâmica, estudos de polens e sedimentos e leitura epigráfica quando possível. Assim, Ocomtún poderá esclarecer aspectos da gestão de água, agricultura e resposta local às transformações que afetaram o mundo maia entre os séculos IX e X.
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