Ariano Suassuna: “arte pra mim não é produto de mercado, é missão, vocação e festa”. O que ele quis dizer com isso
"Arte pra mim não é produto de mercado. É missão, vocação e festa." Ariano Suassuna e o Movimento Armorial que uniu cultura erudita e popular
“Arte pra mim não é produto de mercado. Arte pra mim é missão, vocação e festa.” A frase é do escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, dita em entrevista à revista Veja em 1996.
Quem foi Ariano Suassuna?
Nascido na Paraíba em 1927, Suassuna é considerado um dos maiores nomes da cultura nordestina, autor de peças, romances e ensaios que buscaram unir tradições populares do Nordeste brasileiro a formas eruditas de arte.
Além de escritor, foi professor universitário e figura pública atuante na defesa da cultura popular nordestina, com presença constante em entrevistas e debates sobre identidade cultural brasileira ao longo de décadas.
"Eu acho mais bonito um cortador de cana que se veste de guerreiro para dançar no maracatu rural do que uma pessoa de classe média cujo sonho é ir para a Disnelylândia." — Ariano Suassuna pic.twitter.com/QXGXgCXRTp
— bernardo (@_eubernardo) May 14, 2025
Onde ele disse essa frase sobre arte?
A declaração foi dada em entrevista à revista Veja, publicada em julho de 1996, num contexto em que Suassuna defendia sua visão sobre o papel da arte na sociedade, contrária a tratá-la apenas como mercadoria sujeita à lógica de mercado.
Para ele, tratar a produção artística exclusivamente como produto comercial esvaziava o que considerava sua função mais importante: expressar e preservar uma visão de mundo coletiva, não apenas gerar retorno financeiro.
O que é o Movimento Armorial?
Criado por Suassuna em 1970, o Movimento Armorial propunha unir manifestações populares do Nordeste, como cordel, xilogravura e música instrumental de raiz, a formas eruditas de composição, buscando criar uma linguagem artística brasileira original.
- Fundado formalmente em 1970, por iniciativa de Suassuna.
- Reuniu artistas de diferentes áreas, da literatura à música erudita.
- Buscava misturar cultura popular nordestina com técnica erudita, sem hierarquia entre as duas.
O que é o Auto da Compadecida?
É a peça mais conhecida de Suassuna, publicada em 1955, que mistura humor popular nordestino, tradição de folhetos de cordel e temas religiosos na história de João Grilo e Chicó, dois personagens pobres que driblam a autoridade e a morte com esperteza.
A obra segue sendo encenada e adaptada décadas depois de sua publicação original, incluindo adaptações para cinema e televisão, e é considerada um dos textos centrais do teatro brasileiro do século 20.
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— Leo Martins (@leoeoleo) September 22, 2020
Outros escritores regionais brasileiros tiveram projeto parecido?
A ambição de elevar uma cultura regional específica à condição de linguagem artística universal também está por trás de Guimarães Rosa e sua reinvenção da língua portuguesa a partir do sertão mineiro, num projeto literário paralelo ao de Suassuna, ainda que com resultados estilísticos bem diferentes.
Os dois autores, contemporâneos e ambos ligados ao Nordeste e ao interior do Brasil, compartilhavam a recusa em tratar cultura popular como algo menor frente à tradição erudita europeia, cada um a seu modo.

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