Guimarães Rosa: “o sertão é do tamanho do mundo”. A frase que resume a ambição de Grande Sertão: Veredas
"O sertão é do tamanho do mundo." A frase de Grande Sertão: Veredas resume a ambição de Guimarães Rosa de transformar o sertão em espelho universal
“O sertão é do tamanho do mundo.” A frase, uma das mais citadas de Grande Sertão: Veredas, resume a ambição do escritor mineiro João Guimarães Rosa de transformar uma região específica do Brasil em espelho da experiência humana universal.
Quem foi Guimarães Rosa?
Nascido em Minas Gerais em 1908, Guimarães Rosa formou-se em medicina antes de seguir carreira diplomática, atuando em postos no exterior enquanto desenvolvia, paralelamente, uma obra literária marcada pela reinvenção radical da língua portuguesa.
É considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira do século 20, com Grande Sertão: Veredas, publicado em 1956, como sua obra mais estudada e traduzida.
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— Machado de Assis Online (@mdassisonline) December 16, 2022
O que significa o sertão ser do tamanho do mundo?
No romance, dito pelo narrador Riobaldo, o sertão deixa de ser apenas uma região geográfica do interior do Brasil e passa a funcionar como metáfora para a totalidade da experiência humana: amor, violência, dúvida religiosa e busca de sentido cabem todos dentro dele.
A frase capta o projeto do livro como um todo, que usa uma paisagem regional específica, o sertão mineiro, como palco para questões universais sobre o bem, o mal e a natureza humana, sem depender de cenários estrangeiros ou abstratos para isso.
1956
ano de publicação de Grande Sertão: Veredas, romance narrado inteiramente em primeira pessoa por Riobaldo, ex-jagunço do sertão mineiro.
Sobre o que é Grande Sertão: Veredas?
O romance é narrado por Riobaldo, um ex-jagunço já idoso que relata, num monólogo endereçado a um interlocutor silencioso, sua trajetória de vida no sertão, incluindo a relação central com outro jagunço, Diadorim, e o embate de Riobaldo com questões sobre a existência do diabo.
A narrativa não segue estrutura cronológica linear e mistura ação, filosofia e uma reflexão constante do narrador sobre a própria vida, num formato que rompeu com os padrões do romance regionalista brasileiro até então.
Por que a linguagem do livro é considerada revolucionária?
Guimarães Rosa construiu um português próprio para o romance, incorporando arcaísmos, expressões orais do sertão mineiro, neologismos e inversões sintáticas pouco comuns, criando um estilo que exige atenção redobrada do leitor desde a primeira página.
Essa reinvenção da linguagem não é apenas um efeito estético: reforça a ideia central do livro de que o sertão, e a experiência de viver nele, exigem uma forma de contar diferente da usada para relatar experiências urbanas ou cotidianas comuns.
as capas da nova tradução em inglês de grande sertão: veredas pic.twitter.com/cK9GA3H0Wq
— d. (@deboche_mode) June 18, 2026
Outros escritores tratam a linguagem como ato transformador?
A ideia de que a própria linguagem usada para narrar molda o que está sendo contado, não é só uma embalagem neutra do conteúdo, também está no centro do discurso que Toni Morrison fez ao receber o Nobel de Literatura em 1993, sobre linguagem como medida da própria vida.
Alguns pontos em comum entre os dois autores:
- Ambos tratam a linguagem literária como ferramenta ativa, não decorativa.
- Ambos escreveram a partir de experiências regionais ou históricas específicas, elevadas a questão universal.
- Guimarães Rosa reinventou o vocabulário; Morrison, a responsabilidade moral por trás de cada palavra escolhida.

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