Após mais de 1.600 anos de história os arqueólogos trazem à superfície blocos de 50 toneladas de uma das sete maravilhas do mundo antigo
A retirada dos blocos ajuda a revelar novas pistas sobre uma das obras mais famosas da Antiguidade
Durante séculos, uma parte de uma das construções mais famosas da Antiguidade permaneceu espalhada sob as águas de Alexandria. Agora, blocos monumentais ligados ao Farol de Alexandria estão sendo medidos, digitalizados e reposicionados virtualmente. A campanha arqueológica abriu uma nova fase para entender como funcionava uma torre que guiou navios no Mediterrâneo por quase 16 séculos.
Que maravilha antiga está por trás desses blocos gigantes?
Os blocos pertencem ao Farol de Alexandria, construído no século III a.C. na antiga ilha de Faros, no Egito. A estrutura dominava a entrada do grande porto e se tornou uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
O Centre d’Études Alexandrines informa que o farol permaneceu em funcionamento por quase 16 séculos. Um grande terremoto e tsunami em 1303 causou danos decisivos, e o monumento acabou abandonado antes de desaparecer progressivamente.

O que os arqueólogos conseguiram retirar do mar?
A campanha trouxe à superfície alguns dos maiores elementos arquitetônicos conhecidos do farol. Entre eles estão partes da entrada monumental, grandes lajes e peças de um pílone, uma espécie de portal monumental, construído em estilo egípcio com técnica grega.
Na apresentação dos primeiros resultados feita em maio de 2026, o CNRS destacou a retirada de 19 blocos, alguns chegando a 50 toneladas, dentro de um sítio onde cerca de 5 mil blocos já foram registrados.
Como pedras espalhadas no fundo do mar podem reconstruir um farol?
Cada bloco funciona como uma peça de um enorme quebra-cabeça arquitetônico. A equipe registra medidas, formas, encaixes e marcas de construção para comparar os vestígios físicos com moedas, mosaicos, textos e desenhos antigos.
Esse trabalho não depende apenas da aparência de cada pedra. Os pesquisadores cruzam diferentes tipos de evidência antes de testar onde cada elemento poderia ter ficado.
- Fotogrametria: centenas de fotografias criam cópias digitais detalhadas dos blocos.
- Fontes antigas: textos e imagens ajudam a identificar portas, níveis e mudanças na torre.
- Modelagem 3D: engenheiros testam diferentes posições e encaixes das peças.
- Simulação: o modelo permite comparar hipóteses sobre construção, uso e colapso.
O que mudou no Projeto PHAROS até 2026?
A pesquisa passou de um grande inventário subaquático para uma tentativa de reconstruir cientificamente o edifício completo. As escavações sistemáticas começaram na década de 1990, enquanto a digitalização avançou nos anos seguintes.
O CEAlex mantém o levantamento do sítio e usa os modelos digitais para testar a arquitetura. A evolução do projeto pode ser resumida assim:
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Por que o Farol de Alexandria conseguiu permanecer de pé por tantos séculos?
A reconstrução atual aponta para uma torre de cerca de 103 metros que resistiu a pelo menos 18 terremotos antes de sofrer danos decisivos. O projeto PHAROS encontrou indícios de técnicas de construção e peças metálicas usadas para unir grandes blocos de pedra.
O terremoto e o tsunami de 8 de agosto de 1303 marcaram o início do fim. Houve tentativas de recuperação, mas o farol foi abandonado e passou a servir como fonte de pedras. No início do século XV, viajantes já descreviam apenas ruínas.
Hoje, a meta não é erguer novamente a torre com as pedras originais. O objetivo é usar cada bloco, texto e imagem sobrevivente para criar uma reconstrução virtual capaz de mostrar como uma das Sete Maravilhas realmente foi construída.
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