Josias Teófilo na Crusoé: Festival de Veneza: a era da banalidade da imagem
Cinema atual é muito discrepante do feito no século passado em termos de qualidade
Nos principais festivais de cinema, como Cannes e Veneza, existe a mostra competitiva e uma mostra paralela com filmes clássicos restaurados. Não raro, as sessões de clássicos ocupam as salas principais dos festivais e atraem imenso público.
Em Cannes, ano passado, Barry Lindon (1975) foi exibido na maior sala do festival, o Grand Théâtre Lumière, com 2.300 lugares, todos ocupados.
Neste ano, no Festival de Veneza, o contraste entre filmes clássicos e os da competição oficial pareceu-me especialmente brutal.
Os clássicos têm uma dignidade própria. São bem filmados e decupados. As atuações são feitas por pessoas com presenças densas e têm um certo distanciamento da realidade.
É verdade que os filmes do passado foram selecionados dentre muitos outros filmes — alguns que nem chegaram até nós porque se perderam ou foram esquecidos.
Quando olhamos para o passado, vemos só o que existe de melhor e ignoramos o que existe de pior.
É por isso que, desde sempre, reclamamos dos artistas do presente — isso acontece desde a Antiguidade.
Mesmo tendo esse fenômeno em vista, o cinema atual é muito discrepante do feito no século passado em termos de qualidade.
O primeiro filme que vi na competição oficial do festival foi o coreano Possible Love, de Lee Chang-dong.
Seguindo na linha de Parasita, o filme sul-coreano mais bem-sucedido dos últimos anos, a obra explora relações sociais entre classes distintas, a partir de dois casais que acabam convivendo por causa da realização de um documentário.
O que me chamou atenção é que todos os planos cinematográficos do filme são banais. Talvez seja uma concepção de realismo, de proximidade com o real. Ou talvez seja influência da internet, que se enraizou no imaginário.
Filmes com recortes sociais tendem a ser desinteressantes porque são esquemáticos. Já se espera um embate de classe, que de fato acontece.
O mesmo fenômeno ocorre…
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