Após 20 anos de ausência, guepardos voltam a um país em uma operação para recuperar grandes predadores
A volta começou com poucos animais, recintos de adaptação e um parque preparado para recuperar uma comunidade de predadores desaparecida.
Quatro felinos chegaram de avião e passaram primeiro por recintos de adaptação antes de ganhar acesso à área protegida. Em maio de 2017, a volta dos guepardos no Malawi marcou o retorno da espécie ao país depois de pelo menos 20 anos de ausência e abriu uma nova fase na restauração do Parque Nacional de Liwonde.
Quantos guepardos foram levados para Liwonde?
A primeira translocação ocorreu em 17 de maio de 2017 e levou quatro guepardos da África do Sul para o parque. Os animais formaram uma pequena população fundadora, planejada para restabelecer uma espécie que havia desaparecido do Malawi.
Embora o país estivesse sem guepardos havia pelo menos duas décadas, a ausência em Liwonde era ainda mais longa. Registros históricos indicavam que fazia quase um século que esses grandes felinos não eram documentados na área do parque.

Como o parque foi preparado antes da reintrodução?
A African Parks assumiu a gestão de Liwonde em parceria com o governo do Malawi em 2015. Antes da chegada dos guepardos, o trabalho incluiu reforço da fiscalização, construção de uma cerca perimetral, retirada de milhares de armadilhas e ações para reduzir conflitos entre pessoas e animais.
Essas medidas eram importantes porque uma reintrodução depende de mais do que transportar indivíduos. O parque precisava oferecer presas, habitat adequado e proteção contra caça ilegal para que os felinos tivessem chance de permanecer e se reproduzir.
Entre as condições consideradas na operação estavam:
Por que os animais não foram soltos imediatamente?
Depois da viagem, os quatro guepardos foram colocados em bomas construídos especialmente para a adaptação. Esses recintos permitiam observar saúde e comportamento enquanto os animais se acostumavam ao novo ambiente antes da liberação na área maior.
Os indivíduos vieram de diferentes reservas sul-africanas por meio do Cheetah Metapopulation Project, iniciativa voltada também à diversidade genética. A seleção de animais de origens distintas ajudava a estruturar uma população fundadora com maior valor para a conservação.
Por que recuperar um grande predador pode ajudar o ecossistema?
Guepardos ocupam o nível dos grandes predadores e influenciam relações entre espécies de presas e outros carnívoros. O objetivo da operação era, portanto, recuperar não apenas uma espécie carismática, mas parte de uma comunidade de predadores que havia sido reduzida pela perda de habitat, caça e conflitos.
O guepardo havia perdido grande parte de sua distribuição histórica na África. Áreas protegidas capazes de receber novas populações passaram a ser usadas como uma das ferramentas para ampliar novamente sua presença.
A população conseguiu se estabelecer depois da soltura?
Os primeiros sinais foram positivos. Ainda em 2017, duas fêmeas tiveram filhotes, e registros posteriores da African Parks indicaram que a população havia se estabelecido e produzido novas ninhadas. Em anos seguintes, outros animais foram movimentados para reforçar a diversidade genética.
Em 2023, duas novas fêmeas vindas de reservas da África do Sul foram levadas para Liwonde, enquanto três machos foram transferidos para a África do Sul. A movimentação mostra que manter diversidade genética exige manejo contínuo, mesmo depois de uma reintrodução bem-sucedida.
O retorno dos guepardos fazia parte de um projeto maior?
Sim. A reintrodução fazia parte da recuperação de grandes predadores e outras espécies em Liwonde. Leões voltaram ao parque em 2018, rinocerontes-negros foram translocados em 2019 e cães-selvagens-africanos também passaram por programas de reintrodução.
A operação documentada pela African Parks transformou os guepardos nos primeiros grandes felinos a retornar nessa fase de restauração. O caso mostra que recolocar um predador exige proteção, alimento, espaço, acompanhamento e decisões de manejo muito depois do transporte inicial.
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