Aos 90 anos, Carlos Augusto Manço entrou em Arquitetura, retomou um sonho antigo e chegou ao terceiro ano da graduação aos 93
Aos 90 anos, ele retomou um projeto universitário adiado por décadas e, aos 93, já avançava pelo terceiro ano de Arquitetura.
Aos 90 anos, Carlos Augusto Manço entrou em Arquitetura e Urbanismo para retomar um projeto universitário adiado por décadas. A trajetória reuniu experiência profissional, convivência com colegas mais jovens e, aos 93, a chegada ao terceiro ano da graduação.
Qual era o sonho universitário que ficou para depois?
Carlos passou a vida profissional ligado ao desenho e à construção, mas não havia concluído uma graduação. Em depoimento publicado em 2018, ele contou que começou como desenhista aos 22 anos e trabalhou por 35 anos na Universidade de São Paulo.
Segundo Carlos, a ideia de frequentar a universidade existia havia muito tempo, mas compromissos financeiros fizeram o plano ser adiado. Antes disso, ele fez formação técnica e acumulou experiência prática em projetos ligados à USP em Ribeirão Preto.

Por que Carlos entrou na faculdade aos 90 anos?
A entrada ocorreu em 2018, no curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto. Carlos explicou que queria buscar o diploma universitário depois de uma vida trabalhando na área e aprofundar conhecimentos que já utilizava profissionalmente.
A instituição também adaptou a rotina acadêmica. Segundo a então coordenadora Flavia Olaia, foi criada uma grade semestral menor e os professores foram preparados para recebê-lo, tornando a adaptação mais viável.
Como foi a convivência com colegas de outras gerações?
Carlos entrou em uma turma formada majoritariamente por estudantes muito mais jovens. Em seu relato de 2018, descreveu o trote, os apelidos entre calouros e a boa recepção dos colegas, afirmando que a convivência universitária também lhe trazia uma sensação de renovação.
A experiência profissional aparecia nas atividades práticas. Ele contou que professores chegaram a pedir sua ajuda em tarefas de desenho, mas preferia compartilhar o que sabia sem assumir superioridade diante dos colegas.
A convivência reunia diferenças de idade, mas também trocas concretas:
Como ele chegou ao terceiro ano da graduação aos 93?
Em 2021, já aos 93 anos, Carlos aparecia no terceiro ano do curso e acompanhava aulas remotas por causa da pandemia. Um acompanhamento registrou sua adaptação ao computador e à nova rotina de estudos.
Um detalhe importante: naquele momento, Carlos havia transferido a graduação para o Centro Universitário Moura Lacerda. Portanto, ele iniciou Arquitetura na Barão de Mauá aos 90 anos, mas o terceiro ano registrado aos 93 já ocorreu após essa transferência.
O percurso pode ser organizado em três momentos:
Como a experiência profissional ajudava dentro da faculdade?
O curso não começou do zero. Sua formação técnica e décadas como desenhista davam familiaridade com representação gráfica e construção, enquanto a graduação acrescentava conteúdos teóricos e ferramentas digitais.
Em 2021, ele ainda queria aprender programas de desenho no computador e desenvolver projetos próprios. A graduação funcionava como continuação de uma trajetória profissional antiga dentro de uma formação superior.
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O que a trajetória mostra sobre voltar ao ensino superior décadas depois?
O caso de Carlos não precisa ser tratado como uma disputa contra a idade. As fontes registram uma decisão concreta: depois de décadas trabalhando e mais de 40 anos aposentado, ele retomou um objetivo que havia sido adiado por condições financeiras e compromissos familiares.
Ao chegar ao terceiro ano aos 93, o percurso já reunia mudança de instituição, pandemia, ensino remoto e adaptação tecnológica. A continuidade do curso mostra como um projeto educacional antigo pôde ser retomado em outra fase da vida sem apagar a experiência acumulada antes da graduação.
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